domingo, 26 de fevereiro de 2017

@insidepain

Saudades do meu livro favorito... " sento-me aqui nesta sala vazia e relembro, uma lua alta e brilhante, ilumina o chão"( in Aparição, Vergílio Ferreira).
Eu sento -me aqui neste muro e relembro, saudades do que dantes era e nunca o foi, saudades das fotos, dos sofás de uma paz podre que sempre me amargou. Agora amarga a ausência, o desespero, sente-se o vazio nas paredes, é uma paz a preto e branco, e o filme já acabou à muito. Houve quem pensasse que tinha recomeçado, que os actores eram hipocritas e cobardes, que eram tolos de ansiar pela mudança. Foram usadas máscaras e simulações de quem achava que quem um dia foi grande, inteiro e feliz, jamais o voltaria a ser... Rezou-se, pediu-se a Deus, usou-se a força que não se via, a paciência que não se devia, procurou-se ensinar o que nos tinha, feito aprender. Foi suficiente? Será ? Onde está o refúgio que nunca foi meu, nem teu, nem de ninguém? Doí-me os olhos de me doer o coração e desta espera que teima em não acabar. Não eu não quero ser pequena outra vez, a não ser que por um ou outro momento pequeno e bem guardado, mas disso encarrega-se a memória, tem que fazer alguma coisa não ? ....
No branco o vazio, no moderno o fugaz, a desordem, o quase caos entristecido e só. Foi assim que foi ficando, foi assim que foi perdendo devagar e em silêncio o controlo das horas. Talvez arranjar um relógio novo, um rádio barulhento e espantar o pó que deixou pálido o jardim. Tudo tem solução enquanto for vida.

segunda-feira, 20 de fevereiro de 2017

Tempo

O tempo é o tempo. Os anos são os anos. Os dias são eles mesmos também. 37 anos são 37. Assim, também 50 anos são 50.Não adianta querer ganhar tempo ao tempo. O tempo é dele mesmo, com as suas ferramentas e os seus compassos, só o tempo sabe ser ele mesmo. 
Todos queríamos ser o tempo por um dia, parar o tempo, agarra-lo com força ou fazê-lo recuar aos instantes precisos, às memórias crivadas no coração. Mas o tempo não deixa, o tempo é do tempo. Podemos resolvê-lo, falar-lhe ao ouvido, esperá-lo ou ansiar que chegue, mas o tempo só ele sabe ser como é e acontecer como sabe. Não adianta escrever ao tempo, pedindo que corra mais devagar, só ele sabe como corre ou deixa correr. Esperar, ficar, estar e ser, ou partir e viver, é sempre escolher o tempo entender.
Às vezes queremos esculpir o tempo, podemos tão só esculpir o querer, porque só querendo o tempo quer ser o tempo que escolhemos ser...



sábado, 18 de junho de 2016

Arraiais da vida

Nunca tive jeito para arraiais, bandeiras e manjericos. São coisas da vida, adoro Lisboa , mas Lisboa não me comprou a alma e os santos populares destas bandas nunca foram para mim, mais do que uma boa noite de amigos ... Talvez seja pelo meu pé pesado ou pelo facto de apesar de muito longe em distância me sentir de alma alentejana ... Prefiro um bom bailarico sem sardinha ou com a sardinha a distância 😄, um bom pôr do sol ou uma noite rock de oitenta. Mas os filhos trazem nos destas coisas, fazem-nos novos, fazem-nos velhos e assim, aqui estou eu a fazer-me amiga de i

Santo Antônio ... Guardo os seus sorrisos de hoje para  os lembrar amanhã na caixinha do meu coração... E sim por eles tudo, sempre e onde for preciso, mesmo com saudades do pó, do São João da feira de verão e do Sol imenso que me abafava a respiração ... Isso e outras coisas que se guardam na memória do ser, e que no intervalo das searas e das papoilas, nos definem mais e pesam mais na verdade do momento.

terça-feira, 15 de setembro de 2015

Postal dos Açores

✉️

No meio do atlântico há uma ilha especial, São Miguel. Uma ilha em bruto e perdida na memória dos que lá moram e que nunca viram a sua terra de outra cor.
Chegamos. Devagar e já na estrada vemos o verde engolir a paisagem dos quilómetros que vão desaguar no azul do céu e no azul do mar. Aqui a Natureza é rainha de tudo , é o super herói, o Deus maior, a luz que os homens seguem. Prados e mais prados, verde claro e mais verde escuro, apenas interrompidos por manchas pretas e brancas e tratores colossais. O "paraíso das vacas", podemos ler assim que aterramos nas "chegadas", eu diria que é muito mais do que isso, poderia dizer-se que aqui é também o paraíso do olhar, há uma espécie de purificação que se sente no ar e nos envolve os pés enquanto caminhamos. Sente-se a paz, mas para mim só se sente a paz porque ninguém faz questão que se sinta outra coisa, os açores não estão abertos ao mundo, parecem estar...mas não estão. O Turismo cansa os Açoreanos, o turismo estrangeiro, deixa-os nauseados e fartos, quando chega a Setembro sentem-se quase aliviados e sentem como nós nos sentimos quando regressamos de uma viagem, sentem que regressaram a casa, mas aqui sem nunca ter saído na realidade... Estive aqui há 20 anos, e se em 20 anos pouco, muito pouco mudou, continuamos a ter uma reserva natural a perder de vista, no meio de abruptos lagos estonteantes, outrora crateras,com as 4 estações do ano num dia e o nevoeiro de sempre.

Há mais um hotel, nas Furnas, junto à lagoa, com águas termais e que nos lavam a alma e o espirito, sentem-se os fumos e a água de nascente é gaseificada...pode quase abandonar-se o corpo nestes refúgios secretos,  deixar a alma descansar no meio dos penhascos verdes que se erguem em volta, coroados pelas nuvens...

Cataratas e lagos de água tépida, estâncias balneares improvisadas e um ilhéu que dizem é dos mais bonitos do mundo, a servir de praia em época balnear e cheio de peixes que nadam num fundo que já foi lava...  Todos devíamos conhecer o açores, a sua beleza vale muito mais do que 1000 milhões de palavras ou textos, mas é tudo, pois também todos deveríamos conhecer a Madeira e a sua capacidade de receber o mundo de braços abertos.






Aos meus filhos.

O despertador volta a tocar frenético, depois de um final de dia cheio de emoções, alegria,choro, euforia e medo. Hoje acabam as férias de Verão, ao seu ritmo, cheias de sorrisos, deixam flashes de calor, sal e cloro.
A confusão do costume, as mochilas colossais, as pessoas de sempre, e vocês muito mais empenhados que eu, em chegar ao destino, ao longe ficam no vosso lugar e acenam docemente.
O que me importa no meu coração apertado, não é só que aprendam, é "que sejam felizes a aprender como Platão e livres como Sartre", que sintam e que partilhem, que saibam dar a mão a quem precisa, que sonhem e nunca deixem de sorrir... A escola hoje não vê antes de mais a nossa individualidade, somos nós que a temos que defender e ser o que somos no meio da diversidade. Não devia haver angústia nem medo na escola, devia haver liberdade e respeito por cada um, pois cada um merece ser tratado como um ser humano único e valioso. Apenas assim seremos homens que sabem sentir e ser amanhã.
Hoje não houve foto, preferimos guardar as emoções das imagens nos nossos corações.
Se puderem sejam livres, sonhem e sintam e depois aprendam, a mãe e o pai estão aqui, para vos abraçar quando precisarem.