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No meio do atlântico há uma ilha especial, São Miguel. Uma ilha em bruto e perdida na memória dos que lá moram e que nunca viram a sua terra de outra cor.
Chegamos. Devagar e já na estrada vemos o verde engolir a paisagem dos quilómetros que vão desaguar no azul do céu e no azul do mar. Aqui a Natureza é rainha de tudo , é o super herói, o Deus maior, a luz que os homens seguem. Prados e mais prados, verde claro e mais verde escuro, apenas interrompidos por manchas pretas e brancas e tratores colossais. O "paraíso das vacas", podemos ler assim que aterramos nas "chegadas", eu diria que é muito mais do que isso, poderia dizer-se que aqui é também o paraíso do olhar, há uma espécie de purificação que se sente no ar e nos envolve os pés enquanto caminhamos. Sente-se a paz, mas para mim só se sente a paz porque ninguém faz questão que se sinta outra coisa, os açores não estão abertos ao mundo, parecem estar...mas não estão. O Turismo cansa os Açoreanos, o turismo estrangeiro, deixa-os nauseados e fartos, quando chega a Setembro sentem-se quase aliviados e sentem como nós nos sentimos quando regressamos de uma viagem, sentem que regressaram a casa, mas aqui sem nunca ter saído na realidade... Estive aqui há 20 anos, e se em 20 anos pouco, muito pouco mudou, continuamos a ter uma reserva natural a perder de vista, no meio de abruptos lagos estonteantes, outrora crateras,com as 4 estações do ano num dia e o nevoeiro de sempre.
Há mais um hotel, nas Furnas, junto à lagoa, com águas termais e que nos lavam a alma e o espirito, sentem-se os fumos e a água de nascente é gaseificada...pode quase abandonar-se o corpo nestes refúgios secretos, deixar a alma descansar no meio dos penhascos verdes que se erguem em volta, coroados pelas nuvens...
Cataratas e lagos de água tépida, estâncias balneares improvisadas e um ilhéu que dizem é dos mais bonitos do mundo, a servir de praia em época balnear e cheio de peixes que nadam num fundo que já foi lava... Todos devíamos conhecer o açores, a sua beleza vale muito mais do que 1000 milhões de palavras ou textos, mas é tudo, pois também todos deveríamos conhecer a Madeira e a sua capacidade de receber o mundo de braços abertos.

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