segunda-feira, 17 de julho de 2017

Costas

Nem Norte nem Sul. Nem Este nem Oeste. É no meio que está a virtude?

A angústia dos outros não é a minha, mas sinto-me espelho. Fico aqui perto de ti, sei que te sentes sem rumo, mas não sei ser leme... nem bússola. Desculpa. Estás como sempre a navegar á vista. Deixa-me só dizer-te que o sol é por si só um ponto cardeal. Gira dentro de nós e às vezes aquece. Deixa-me só dizer-te que tu és as velas que rumam ao vento e assim seguem, deixa que o vento te empurre a consciência de seres tu a navegar. Ainda que não te vejas na proa, sabes que podes abrir os braços. Lembras-te de como é soltar as amarras? Quem sabe dar nós, também os sabe soltar... Querer é sentir que a vida nos corre nas veias, é chegar a bom porto vivendo. Embora saibas que navegas à vista. O sopro de Norte frio, arrepia. O sopro de Sul quente, aconchega.