"Manhã Branca
Tenho saudades suas avó...
Não é crime, nem é fado, não há pena, nem Amália.
Tenho saudades de lhe desfazer as malas depois das férias.
Do seu cheio a sabonete, da face fresca, macia deixando adivinhar o pousar de um beijo,
Tenho saudades suas sorrindo, qual madrugada quente, das suas mãos junto ás minhas.
O meu ombro foi como veio, sabedoria que torna mais leve a dor, mas nos deixa ora ausentes, ora presentes...
Eu sei, de mansinho deixa as paredes cheias de coroas imperiais brancas, como se do branco da alvorada se tratasse, está bonita como sempre a sua casa.
Hoje não tenho mais para dizer... no roupeiro está agora o vestido azul céu, cor de Alice, encontrei as meias brancas, e sim eu sei, que tenho saudades suas, e do açucar e canela com argolas.
Confio no tempo, como sei que sempre confiou.
E... sim eu "não me esqueço da luz do corredor, não maça nada", foi, é e será sempre um previlégio dizer que a conheci e que a abraçei.

