Crescer em Liberdade (mas a nossa acaba onde começa a dos outros)
Nunca me tinha ocorrido classificar um filho segundo um regime político…
Na verdade acho que os filhos nascem mesmo ditadores.
Comem, bebem, mandam, quando querem… e nós pais,
parecemos um bando de araras preocupados com o ser indefeso
e frágil que exerce o seu totalitarismo sem dó.
Sobretudo as mães...oh pobres mães do século XXI... obrigadas socialmente
a ser quase perfeitas pois são portadoras de todos os meios que as ajudam
e tornam simples e eficaz a vida de qualquer mãe...fraldas descartáveis,
leite em pó de mais de 20 variedades, cremes para qualquer pintinha,
xaropes e curas para tossidas inofensivas e febres de crescimento,
não há espaço para falhar, nem para palpites, porque já está tudo escrito,
já foi tudo dito, não há liberdade de expressão como numa verdadeira ditadura.
Depois é a sociedade que lhes impõe que se tornem em mães e profissionais de topo, já agora, pois não custa nada tratar de uma criança, de um bebé, que disparate, conciliável na perfeição. Não haja dúvidas, hoje é possível chegar a todo o lado, mesmo feitas em retalhos. Esquecendo-nos que a sociedade é feita da diversidade e cada família tem as suas condicionantes que fogem de uma forma ou de outra ao padrão imposto.
Os bebés depois crescem e transformam-se em crianças, adoptando um regime mais anarquista com suaves resquícios de comunismo...ah....ser criança,
o mundo em que tudo nos é permitido e tolerável e ás vezes até chega a ter graça, a uma criança não pode ser pedida responsabilidade, esta é claramente dos pais, esses seres que nos devem contrariar e nos ensinar a palavra "não", que é claro, é das primeiras que absorvemos e utilizamos 99,9% das vezes mal. Depois continuação do capitulo anterior, aprendemos a pedir como ditadores, enquanto os pais introduzem ou deveriam introduzir algumas palavras essenciais como " se faz favor" e "obrigada", as palavras difíceis que hoje até se ensinam através de músicas, na tentativa de chegar mais perto dos pequenos coitadinhos. Pedem prendas, acham-nas um dado adquirido e não uma recompensa, mas a culpa não é só dos pais, mas também da sociedade consumista e invejosa em que nos tornámos.
De crianças passam a adolescentes e aí meus amigos,
nenhuma experiência de mãe ainda tenho,
mas prometo que quando tiver não me esquecerei de classificar a idade politicamente e enviar os meus reflectidos textos... parece-me que aí sim talvez sejam verdadeiros socialistas e essas serão as convicções mais difíceis de abandonar, e esse deve ser um enorme desafio para os pais.
Uma coisa eu sei, sem medos, somos a rede dos nossos filhos cabe-nos deixá-los crescer e absorver o mundo, mas sem excessos, sem extremos, sem fundamentalismos, somos o equilíbrio e a resposta que procuram todos os dias, a sua segurança e porto de abrigo, acabamos por exercer uma mistura de regimes e orientações políticas, para que um dia saibam posicionar-se também eles, socialmente. Eles tornam-se o reflexo dos nossos erros e dos nossos ensinamentos, mas se conseguirmos estar atentos na educação adquirem um filtro que lhes permite um dia no mínimo, distinguir o bem do mal.
(Reflexão sobre texto
"Os meus filhos são Socialistas”, por Inês Teotónio Pereira ) |
quinta-feira, 30 de janeiro de 2014
Filhos da nação
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