sexta-feira, 5 de julho de 2019

Segura o seu coração junto ao peito que o vento sopra forte e a chuva bate severa.
Segura o teu coração enquanto não chega aquele abraço forte e seguro e que te desarma e convence que a tempestade acaba quando quiseres.
Chega o abraço abafado e forte. O abraço que te faz rir quando tens vontade de chorar e brinca com a tua dor de mansinho. Escusas de ripostar e de te tentar irritar, dali só vem risos que nestes momentos te ridicularizam o estado esgotante que vives.
Segura o teu coração enquanto passas por esta dor e estas lágrimas quentes e frias e a indiferença do que podias ter feito. Não vale de nada regurgitar sobre o vidro que pisas, deves ficar quieta e deixar passar como uma concha que espera por aparecer sob a espuma das ondas.
Segura o teu coração, sobe essas escadas que em breve chegarás a outro lance da vida, lembra te do amor que construíste e do colo que dás aos teus filhos. Lembra-te que bom é segurar todos os corações no nosso, enquanto a ponte treme e em segurança os levas para a margem firme.
Deixa lá ficar quem não quer vir e quina em pedaços cartas, frases, gestos e enganos. Das cinzas restará  o pó que se esfuma no nada que foi ou que ficará.
Segura o teu coração e amarra o teu barco à margem, que a tempestade passa e Deus volta na calma e na maré vazia.
Qual expresso do Oriente, não esqueças que tens em ti a força dos que já te deixaram e a dos que te limpam as lágrimas e rebentam sorrisos molhados e transparentes, beijos de amor e mãos que se entendem. Dar, mesmo que não queiram receber, guarda em ti a gratidão do gesto certo, mas dói, mas arde e expulsa as vísceras. Segura o teu coração, Deus segura os de todos.