sexta-feira, 26 de dezembro de 2014

Remexer no sotão: A Unidade na diversidadeAos meus 34 anos o Natal...

Remexer no sotão: A Unidade na diversidade Aos meus 34 anos o Natal...: A Unidade na diversidade Aos meus 34 anos o Natal continua a ser a época que mais sentimentos me desperta. Consigo sentir o frio dos corr...

Christmas@soul

A Unidade na diversidade

Aos meus 34 anos o Natal continua a ser a época que mais sentimentos me desperta. Consigo sentir o frio dos corredores e o calor das brasas debaixo mesa, as brincadeiras infindáveis, o Pai Natal a descer da chaminé, o presépio em cascata qual escultura humana e pequenina, que labuta entre o musgo e os rios de papel de prata, o sabor dos folhados de galinha e o calor do forno de lenha, dos jogos de cartas... Sabe-me a boca a perú e a caldo com hortelã, sabe-me o furto a bolinhas prateadas da coroa de bolo real, a fios de ovos e a frutas do bolo rei. 

Ainda consigo sentar-me nos sofás que já não são meus e cruzar as pernas pequeninas, olhar as minhas golas e os xadrez dos calções e dos "kilts" com alfinete. 

Sinto aqui perto a alegria de correr e de esperar, de pertencer ao meio dos corações feitos de terra e de tradição e que me deixaram as melhores e mais doces memórias. Consigo se quiser subir a escadaria de granito e tirar fotos divertida e muito amiga dos meus óculos de armação cor de rosa e azul claro, do meu cabelo com franja e bandolete. 

Há coisas que nunca mudam e que a nossa memória se encarrega de imortalizar e fazer correr debaixo da nossa pele.

O Natal é das crianças, mas também é do espirito de família, de cedências, de amor incondicional, de afastamento de fantasmas e rectidão de postura... o Natal não surgiu para gerar a discórdia ou medir forças, sobre quem prevalece sobre quem e de que forma, o Natal não foi feito em casas separadas, em telhados de vidro, mas na simplicidade de uma cabana e na palha. 

Pobre de espirito aquele que usa o maior momento de união onde se põem de lado as crenças e feitios para o bem comum, a união na diversidade, para medir forças, pois isso apenas mostra a sua fraqueza e que Deus lhe perdoe tamanha fraqueza e insensatez.

Para mim as memórias são minhas e ninguém mas tira, as imagens e palavras que contam a história fazem-no com a mesma paixão e espirito de sempre. 

A Lareira ainda lá está e a mesa dos doces, o sorriso grisalho e as notas certas e melodiosas de uma orquestra... por acaso numa orquestra os músicos têm todos o mesmo instrumento ?? ...

No meu coração cabe isto e muito mais, cabe a verdade e a paz de espirito, cabe a memória eterna e os brilhos dos arranjos de Natal, cabe o coração do meu marido e dos meus filhos, dos meus pais e de todos  os que lá quiserem estar, porque o meu coração está aberto a ceder, a amar, a aceitar e compreender com um sentido de justiça que me ensinaram desde tenra idade. Claro que a vida é feita  de cedências, mas amar é isso mesmo, abrir espaço para a diferença e só a aceitação da diferença faz a união. Disse.

Queridos pais obrigada por estarem sempre ao nosso lado, com uma rectidão exemplar e que só doí a quem tem medo de ser feliz. 

Para si Avó, uma inspiração todas as horas dos meus dias. Para os meus filhos e marido que iluminam todos os Natais como sangue do meu sangue e espalham sorrisos muito mais que presentes.

O meu Natal será sempre branco, cheio de velas e paz, enquanto eu puder e o Menino nos acompanhar de longe.

Menino Jesus: "Pano, Papel e Companhia", a arte nas mãos de quem a entende o espirito e assim  o recria.

quarta-feira, 24 de setembro de 2014

10 anos a acertar o passo...

<3
O dia do sim é para além de mágico, sonhado, trabalhoso, suado, pérola e branco, um dia tão decisivo quanto aquilo em que acreditamos estar presente. A Fé, o Amor, a Vida, o compromisso sagrado.
É preciso não só amar pacientemente, mas também procurar acertar o passo para que possamos caminhar lado a lado, ombro a ombro, na mesma direcção... E de preferência sem ser guiados por medos ou privações...
Depois se surgem pegadas mais pequenas é preciso saber o sítio em que tem o seu lugar nos passos da areia. É preciso alinhar o caminho com os seus pés pequeninos e dar-lhe espaço para crescerem com Amor e do Amor que um dia se jurou.
" Sento-me aqui nesta sala vazia e relembro" uma lua cheia de Verão, dois olhares, duas mãos uma sobre a outra e um destino.
Seria quase hipócrita dizer q sempre se soube caminhar lado a lado, a vida a dois é uma aventura onde damos a volta ao mundo ( ao nosso e do outro) e vamos guardando as fotos e os momentos mais importantes da viagem, bem sempre o passo é certo...
Mas estou aqui. E que bom é estar ao lado de quem se jurou amar para sempre e sentir aquela cumplicidade que só os grande amigos sentem.
Ao longo de 10 anos arriscaria dizer que  o mais importante foram as pegadas que nasceram ao nosso lado, os pequenos pés que crescem junto dos nossos e aprendem a pisar o mundo devagar.Mas não me poderia nunca esquecer que tudo nasceu de uma promessa que fizemos e que tem a chama bem acesa e junto ao coração, ao teu e ao meu, ao dos dois que sabe ser um só.
Parabéns meu amor. 10 anos não são os 10 segundos que dura o sim são até agora a sua verdadeira razão de ser...





segunda-feira, 28 de julho de 2014

Boa noite

"Todavia, o mar é o habilidoso desenhador de ausências."
__Mia Couto



Sobre o o pó que nos deitam para os olhos e a saudade do nosso país

Devagar...como a memória volta a esquecer como fomos ao fundo, valha-nos o Tiago Bettencourt e a canção sobre o meu país..."Aquilo que eu não fiz".
Há pessoas que respiram a sua riqueza e só isso as alimenta, há detenções que parecem reais e e no fim do outro lado do espelho, só vemos a sombra a desaparecer e o fado, a fé e o futebol a voltar...
Chamam-lhe o Último Banqueiro, o último banqueiro morreu em 8 de Maio de 2004  e chamava-se António Champalimaud, nunca foi detido por corrupção, honrava a sua postura recta, tomou a s frentes de negócio depois da morte precoce de seu pai e no Brasil encontrou refúgio e enriqueceu do zero depois de Abril, regressou ao seu país para lhe deixar a prosperidade. Ajudou a construir muito mais do que um banco com a sua preocupação com o próximo, sabia que o dinheiro servia para muito mais o que ser rico, e não abandonava o barco porque sim, ou porque tinha esgotado o crédito, deixou no conforto filhos e netos, sem ser avarento deu um sentido útil à restante fortuna, enriqueceu o país, a cultura e o exemplo. Dizem que era de poucas palavras, e no fim para quê gastar o tempo a desfiar os novelos dos outros. Gastava sim tempo num projecto de uma Fundação que hoje serve a humanidade e que merece as maiores graças e admiração. Nem me atrevo a imaginar a esperança renascida depois de cada dia e cada inovação, onde mais nada quiça restaria...

Ás vezes há vergonhas no meu país que me doem tanto que me apetece partir para além fronteiras e não partilhar mais de um sentimento de estranha pertença a um lugar que nos roubaram... Mas depois a Inércia e o destino acabam por nos deixar apenas perdidos em pensamento. Mas também há o Eusebio, o Camões, Fátima, o Pessoa, o Saramago, o Figo e o Ronaldo e o nosso humanismo tão próprio que nos faz nascer a saudade ainda antes de partir...



quinta-feira, 13 de março de 2014

Resignation

"O Homem só envelhece quando os lamentos substituem os seus sonhos."… ainda hoje não sei se isso lhe aconteceu…ou adormeceu a sonhar. Amanhã escrevo, hoje a alma está muito desalmada.

quarta-feira, 12 de março de 2014

Alice In my eyes

Não foi ontem?

Não foi ontem a agrura dos dias e o aperto no peito? É depois de amanhã que o nosso coração fica mais vazio de presença e mais cheio de saudade? Ou é todos os dias que se adensa a falta da voz e do abraço e o perfume doce, o batôn impecavelmente retocado e o Sumol de ananás, assim a paciência de Santo.

Passámos de uma peça de teatro bem representada a uma revolução anarquicamente descontrolada e ainda assim…alguém diz "o nosso país está a empobrecer"… os nossos corações empobreceram à muito, e tivemos que os enriquecer com a ternura da memória…ensinamentos ancestrais e "Photoshops" mentais. Tivemos que guardar junto ao peito meias de linha, orações, sabores de bolos caseiros e aquela doçura que mais ninguém tem. E ainda assim temos sorte em ter o seu coelho branco, sempre atrasado para chegar a tudo e todos, embora Alice tenha decidido também levar o gato sorridente, para quê deixar mais tesouros ainda em mãos alheias…

Vejo o seu pé a chapinhar na beira da água, o sei porque são os seus olhos tristes, mas eu não digo a ninguém e faço de conta que não vejo que os outros não querem ver.

Eu também a entendo, estava cansada e os anos já eram muitos, muitos a cuidar da paz e a lutar contra moinhos de vento que nunca haviam sofrido tamanhas vitórias como aquelas… Há um egoísmo desmedido em querer que alguém fique quando temos que a libertar, e se as marcas ficam, as cicatrizes e os muros desfeitos de areia, não nos caberá a nós o legado de os honrar e com o tempo edificar.

Foi tudo muito rápido, o tempo é muito senhor do seu nariz, nem nos deixou o resto do guião do filme da vida e baralhou sem dó as personagens…ou então colocou-as nos seus papéis devidos…

Era um pedestal, uma confidente sem igual, um ponto de exclamação bem direito e definido, uma virgula pequena e curva, um ponto final nas histórias e umas astuciosas reticências. Orgulho-me muito de a ter tido ao meu lado… e deixo-a partir, porque sei que não pode ficar, mas também sei que a cadeira, o trono, fica irremediavelmente vazio…talvez um dia.

Saudades. Tantas….

Leonor

quarta-feira, 19 de fevereiro de 2014

Lisboa@first

Lisboa...

Se os barcos que aqui passaram planearam encher a costa do ácido doce de limões lacrimejantes, ou aqui deixaram amaras e grutas, não levaram o azul do mar. Deixaram nas suas costas rochas, corais e búzios cantantes, ornamentos fenicios, artes de pintar o Amanha como se fosse hoje... Canções são modos falar, e de entender. São luzes que salpicam o mar, que ternurento deixa descansar as gentes que sobre este Dormem sem sobressalto.
Daqui a  vista são 180 graus de pequenos salpicos, e ainda assim o mar esta calmo.
Os romanos, esqueceram-se de nos deixar as notas. E as pautas e as arpas... E nos tivemos que aprender o nosso fado, erguer a nossa bandeira e arrumar as caravelas, ser grandes sendo pequenos e triunfar com o suor da mãos e os golos do coração.
Tudo aqui parece um presépio, em oração, escarpado e esculpido na rudeza da pedra, mas um presépio cheio de calma e ainda assim pleno de vida. Viver e aprender. "Porque quando a culpa é virtude o padecer á glória", disse São João de brito

Alice@inside

Pó dos dias. Alguém tem um pano?

Manha clara e sol de mansidão, tímido e cauteloso por entre a  névoa branca, imaculada... Ouço sussurrar baixinho... Esta longe a  voz e demora a  entender a  mensagem...obrigada, penso, em resposta surda...saudosa e lenta sobre o travesseiro.
Como e longa a  distancia e curto o momento, ai se pudesse, guardava-a bem fundo e bem alto para todo o sempre. Quatro lágrimas, cinco, e melhor banir a  tristeza da memória, o tempo dela urge.

terça-feira, 18 de fevereiro de 2014

Meu Amor@letter

Carta de Amor 1

Quem me conhece sabe que não gosto de escrever por obrigação ou por mera conveniência que a ocasião exige… Hoje é uma excepção, não pela obrigação, porque o faço de coração cheio, mas pela ocasião.
Conheci o N. por acaso e mera coincidência, em 1999, mesmo não estando disponível para ninguém ou simplesmente porque não sabia que estava…
Foi aquilo que em revistas perfumadas se chama de "click" ou instante, embora se me pedirem para explicar não seja capaz de o fazer, porque nem para mim é ainda hoje entendível.

Em todo o caso, tudo começa no riso e no jogo, entre "capuccinos" e cafés, mas mais importante tudo começa quando se olha e se consome o brilho de um determinado olhar. O riso é um excelente companheiro e um botão mágico da vida, o melhor "desbloqueador de conversa" e o artificio que mais ecoa dentro de nós. Lembro-me de dizer para á minha mãe "ele faz-me rir" como uma adolescente tola e aparentemente inocente… e ele sem saber tinha o toque, a magia do momento e a palavra sempre certa. Raios!

Foi um fósforo, entre livros, frequências, estudo, festas e jantares, um fósforo sem fim que não queimava mas ardia e aquecia o coração. Quase fiquei de novo miúda imberbe e cheia de borboletas na barriga, da espera, dos intervalos, das mãos, dos beijos que fugiam e das quartas feiras, em que o meu rastilho chegava a disparar de intensidade e de paixão e de música quente…

Transformei a paixão em intelecto e esforcei-me mais que nunca por permanecer direita e indiferente ao correr do tempo, ás longas saídas que tanto temia, por as sofrer e ter sabido como se sofre um dia. Paixão, quase amor...Porque o amor é uma praia longa e uma obra de arquitectura que leva o seu tempo e artifícios, uma pérola de uma ostra e um livro que se escreve devagar, e que continuamos a escrever todos os dias da nossa vida toda.

Foi tudo tão delicado e diferente que acabei por entregar o meu olhar ao teu e deixar-me ir, contigo era tudo tão seguro que nunca me faltava o chão…

E quando um certo dia depois de algum tempo para adultos e muito tempo para rapazes pequenos lhe perguntei o que sentia, e me respondeu desconexamente e com uma despreocupação de tempo e estado de ser "não sei"… eu devia ter entendido que ele não sabia porque nunca tinha sentido e desta forma não poderia saber…

Como será escusado, ele acabou por saber o que era sentir e saber que não saber era apenas um refúgio do desconhecido… e os dias foram chegando devagar e depressa consoante nos partilhávamos o riso e ateávamos o fogo. (…)




quinta-feira, 30 de janeiro de 2014

Alice@cupsandteas

"Manhã Branca
Tenho saudades suas avó...
Não é crime, nem é fado, não há pena, nem Amália.
Tenho saudades de lhe desfazer as malas depois das férias.
Do seu cheio a sabonete, da face fresca, macia deixando adivinhar o pousar de um beijo,
Tenho saudades suas sorrindo, qual madrugada quente, das suas mãos junto ás minhas.
O meu ombro foi como veio, sabedoria  que torna mais leve a dor, mas nos deixa ora ausentes, ora presentes...
Eu sei, de mansinho deixa as paredes cheias de coroas imperiais brancas, como se do branco da alvorada se tratasse, está bonita como sempre a sua casa.
Hoje não tenho mais para dizer... no roupeiro está agora o vestido azul céu, cor de Alice, encontrei as meias brancas, e sim eu sei, que tenho saudades suas, e do açucar e canela com argolas.
Confio no tempo, como sei que sempre confiou.
E... sim eu "não me esqueço da luz do corredor, não maça nada", foi, é e será sempre um previlégio dizer que a conheci e que a abraçei.
Soltam-se gotas de chá sobre a minha pele, é de camomila, ainda bem! "

Filhos da nação

About family

Mote de vida.

Madalena@thefirst

Textos do Baú, remexendo no sótão…5 de Junho de 2007: 

"Já cá tenho a minha pequenina, a Madalena, nasceu de cesariana às 17h43m do dia 31 de Maio, com 49cm e 2970kg, nasceu a pedido no mês de Nossa Senhora.
É linda, mas é minha filha e em termos de parcialidade aqui há muita, o pai está ainda mais anestesiado do que antes...acho que há uma dose grande de infantilidade que se apodera dos homens nestas stuações, a Dra.melhor que ninguém saberá confirmar o que eu digo...
O nascimento de um filho muda radicalmente a nossa vida, há um bocado de nós que deixa de os pertencer pertencendo e é quase visceral a relação que se estabelece desde o primeiro momento.
Estou muito feliz, agora tenho um mundo único e maior do que alguma vez tive, não é meu mas tem uma parte suada do meu peito. É uma razão que nos afasta das banalidades e nos reprime a tentação de olharmos o mundo de forma indiferente ou egocentrica...afinal de contas a minha terra não é redonda, ou pelo menos deixou de ser.
O Amor que se sente é maior do que todos, maior do que os homens e maior do que o Amor que achavamos ser capazes de sentir.

Ganhei uma Missão, a maior missão da minha vida, e nem precisei de prestar provas, porque o grau de exigência não se compadece com os normais parametros do quotidiano, compadece-se connosco e somos nós que exigimos o melhor."


Aqui ao colo da Avó Zézinha que nos acompanha com o seu manto invisível…

E foi assim que tudo começou ...