terça-feira, 18 de fevereiro de 2014

Meu Amor@letter

Carta de Amor 1

Quem me conhece sabe que não gosto de escrever por obrigação ou por mera conveniência que a ocasião exige… Hoje é uma excepção, não pela obrigação, porque o faço de coração cheio, mas pela ocasião.
Conheci o N. por acaso e mera coincidência, em 1999, mesmo não estando disponível para ninguém ou simplesmente porque não sabia que estava…
Foi aquilo que em revistas perfumadas se chama de "click" ou instante, embora se me pedirem para explicar não seja capaz de o fazer, porque nem para mim é ainda hoje entendível.

Em todo o caso, tudo começa no riso e no jogo, entre "capuccinos" e cafés, mas mais importante tudo começa quando se olha e se consome o brilho de um determinado olhar. O riso é um excelente companheiro e um botão mágico da vida, o melhor "desbloqueador de conversa" e o artificio que mais ecoa dentro de nós. Lembro-me de dizer para á minha mãe "ele faz-me rir" como uma adolescente tola e aparentemente inocente… e ele sem saber tinha o toque, a magia do momento e a palavra sempre certa. Raios!

Foi um fósforo, entre livros, frequências, estudo, festas e jantares, um fósforo sem fim que não queimava mas ardia e aquecia o coração. Quase fiquei de novo miúda imberbe e cheia de borboletas na barriga, da espera, dos intervalos, das mãos, dos beijos que fugiam e das quartas feiras, em que o meu rastilho chegava a disparar de intensidade e de paixão e de música quente…

Transformei a paixão em intelecto e esforcei-me mais que nunca por permanecer direita e indiferente ao correr do tempo, ás longas saídas que tanto temia, por as sofrer e ter sabido como se sofre um dia. Paixão, quase amor...Porque o amor é uma praia longa e uma obra de arquitectura que leva o seu tempo e artifícios, uma pérola de uma ostra e um livro que se escreve devagar, e que continuamos a escrever todos os dias da nossa vida toda.

Foi tudo tão delicado e diferente que acabei por entregar o meu olhar ao teu e deixar-me ir, contigo era tudo tão seguro que nunca me faltava o chão…

E quando um certo dia depois de algum tempo para adultos e muito tempo para rapazes pequenos lhe perguntei o que sentia, e me respondeu desconexamente e com uma despreocupação de tempo e estado de ser "não sei"… eu devia ter entendido que ele não sabia porque nunca tinha sentido e desta forma não poderia saber…

Como será escusado, ele acabou por saber o que era sentir e saber que não saber era apenas um refúgio do desconhecido… e os dias foram chegando devagar e depressa consoante nos partilhávamos o riso e ateávamos o fogo. (…)




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