Saudades do meu livro favorito... " sento-me aqui nesta sala vazia e relembro, uma lua alta e brilhante, ilumina o chão"( in Aparição, Vergílio Ferreira).
Eu sento -me aqui neste muro e relembro, saudades do que dantes era e nunca o foi, saudades das fotos, dos sofás de uma paz podre que sempre me amargou. Agora amarga a ausência, o desespero, sente-se o vazio nas paredes, é uma paz a preto e branco, e o filme já acabou à muito. Houve quem pensasse que tinha recomeçado, que os actores eram hipocritas e cobardes, que eram tolos de ansiar pela mudança. Foram usadas máscaras e simulações de quem achava que quem um dia foi grande, inteiro e feliz, jamais o voltaria a ser... Rezou-se, pediu-se a Deus, usou-se a força que não se via, a paciência que não se devia, procurou-se ensinar o que nos tinha, feito aprender. Foi suficiente? Será ? Onde está o refúgio que nunca foi meu, nem teu, nem de ninguém? Doí-me os olhos de me doer o coração e desta espera que teima em não acabar. Não eu não quero ser pequena outra vez, a não ser que por um ou outro momento pequeno e bem guardado, mas disso encarrega-se a memória, tem que fazer alguma coisa não ? ....
No branco o vazio, no moderno o fugaz, a desordem, o quase caos entristecido e só. Foi assim que foi ficando, foi assim que foi perdendo devagar e em silêncio o controlo das horas. Talvez arranjar um relógio novo, um rádio barulhento e espantar o pó que deixou pálido o jardim. Tudo tem solução enquanto for vida.
Sem comentários:
Enviar um comentário