sexta-feira, 5 de julho de 2019

Segura o seu coração junto ao peito que o vento sopra forte e a chuva bate severa.
Segura o teu coração enquanto não chega aquele abraço forte e seguro e que te desarma e convence que a tempestade acaba quando quiseres.
Chega o abraço abafado e forte. O abraço que te faz rir quando tens vontade de chorar e brinca com a tua dor de mansinho. Escusas de ripostar e de te tentar irritar, dali só vem risos que nestes momentos te ridicularizam o estado esgotante que vives.
Segura o teu coração enquanto passas por esta dor e estas lágrimas quentes e frias e a indiferença do que podias ter feito. Não vale de nada regurgitar sobre o vidro que pisas, deves ficar quieta e deixar passar como uma concha que espera por aparecer sob a espuma das ondas.
Segura o teu coração, sobe essas escadas que em breve chegarás a outro lance da vida, lembra te do amor que construíste e do colo que dás aos teus filhos. Lembra-te que bom é segurar todos os corações no nosso, enquanto a ponte treme e em segurança os levas para a margem firme.
Deixa lá ficar quem não quer vir e quina em pedaços cartas, frases, gestos e enganos. Das cinzas restará  o pó que se esfuma no nada que foi ou que ficará.
Segura o teu coração e amarra o teu barco à margem, que a tempestade passa e Deus volta na calma e na maré vazia.
Qual expresso do Oriente, não esqueças que tens em ti a força dos que já te deixaram e a dos que te limpam as lágrimas e rebentam sorrisos molhados e transparentes, beijos de amor e mãos que se entendem. Dar, mesmo que não queiram receber, guarda em ti a gratidão do gesto certo, mas dói, mas arde e expulsa as vísceras. Segura o teu coração, Deus segura os de todos.


sexta-feira, 21 de junho de 2019

Paixões e desamores

Faz tempo que não escrevia... Mas Paixões e “desamores” da vida subsistem em quem tenta ser o mais fiel possível ao seu âmago.
Sempre tentei concertar os meus ímpetos e as minhas incertezas, e de uma forma ou de outra tenho conseguido afastar me de energias negativas e maus olhados. Mas há dias em que o nosso interior nos puxa com uma força desmesurada e nos faz comportar de formas que nós próprios não nos reconhecemos, falhamos e só vimos depois. A angústia instala se na noite dentro e nem a perspectiva de um dia feliz, nos alicia a água dos olhos. Parece que tudo para ali naquele momento e tudo é cinzento escuro e frustrante. Nem brilho de estrelas, nem o rodar da chave para ir dar uma volta na rua a esta hora despida te confortam.  Todos dormem e estás sozinha contigo no espaço que embora cheio, te pareça incrivelmente vazio e perdido...
5h e depois de alguma luta, cedes ao sono de olhos cansado e vermelhos de explicações que não queres dar a ti própria, nem queres assumir aos outros... Ainda barafustas e tentas conforto no sono dos teus filhos mas o conforto apesar de ser grande à vista, de uma maneira cega pesa-te no peito.  Os lençóis estão frios e tu tens calor, dói-te a ferida que te deixaram inacabada e mais as palavras que disseste ou que julgas ouvir.
Procuras o teu perdão, mas não encontras nem rezando nem tentando ser cristã nas tuas preces. Desejas ser outra personagem embora estejas muito grata por tudo o que te chegou até hoje...
Amanhã será outro dia. Amanheces e ainda te azeda na garganta a noite escura, talvez hoje possas refazer o ponto mais claro onde tinhas ficado e seguir em frente com o amor de sempre e a tua perseverança, complacência contigo que também precisas e o teu perdão, talvez o sol e o calor te aqueçam de novo a pele e te lancem de novo no caminho. Talvez as searas verdes e as oliveiras carregadaste tragam o conforto de voltarem ao teu trilho.
Deus tem certezas, nós expectativas.

sábado, 26 de janeiro de 2019

Amor@home

Sempre atento, embora no seu mundo,  sempre a horas mesmo que por uns minutos seja mais tarde, sempre uma voz de coragem quando tem de ser, sempre uma voz de amor quando se tem de amar tão incondicionalmente como um pai deve fazer... Incentivas serem iguais a si mesmos e não à tua imagem, abraça-nos como o teu único propósito... os teus passos são nossos e os nossos passos são teus. Compreendes a liberdade e deixá-los voar, entendes a angústia e estas lá para os confortar, entendes o sonho e deixá-los sonhar, brincas como uma criança igual a eles e educas nos princípios e valores como um pai.

Antes de tudo, escolhi-te a ti, foste a melhor escolha da minha vida.

❤️🌟



Meu querido@amor

Meu querido...

Amar não é fácil e menos fácil é ainda manter e fazer crescer o Amor por alguém. Estes últimos meses, por causa de factores externos às vezes sinto que posso estar demasiado longe ou triste em pensamento, mas também aprendi o que nunca quero ser ou o caminho que não quero escolher ...Porque somos dois mas só podemos sê-lo depois de saber que somos inteiros na nossa individualidade. Por vezes esta interfere em detrimento dos dois, prejudica ou afasta a cumplicidade, mas somos nós que através da partilha dos momentos apreendemos a amar mais ser um só, sendo dois. 

Ou te amo muito e cada dia aprendo a fazê-lo de forma mais profunda e completa ou estou estou enganada a 18 anos.... não estou, eu sei. És a luz da minha vida e o meu muro, a minha rocha e o meu companheiro de tudo e de sempre. É muito bom estar contigo e estar connosco porque o mundo parece menos assustador, menos trémulo e menos cruel. Hoje não é dia nenhum foi só dia de te escrever.

Por favor não te esqueças nunca de me entender e de tentar tornar mais forte ainda o que temos os dois...eu vou estar sempre contigo o melhor que puder em todos os momentos...

Obrigada por estares comigo, eu sei que estás, mesmo que por vezes pareças longe porque a vida é mesmo assim.Um beijo





Acreditar não chega

Nem Norte nem Sul. Nem Este nem Oeste. É no meio que está a virtude?

A angústia dos outros não é a minha, mas sinto-me espelho. Fico aqui perto de ti, sei que te sentes sem rumo, mas não sei ser leme... nem bússola. Desculpa. Estás como sempre a navegar á vista. Deixa-me só dizer-te que o sol é por si só um ponto cardeal. Gira dentro de nós e às vezes aquece. Deixa-me só dizer-te que tu és as velas que rumam ao vento e assim seguem, deixa que o vento te empurre a consciência de seres tu a navegar. Ainda que não te vejas na proa, sabes que podes abrir os braços. Lembras-te de como é soltar as amarras? Quem sabe dar nós, também os sabe soltar... Querer é sentir que a vida nos corre nas veias, é chegar a bom porto vivendo. Embora saibas que navegas à vista. O sopro de Norte frio, arrepia. O sopro de Sul quente, aconchega.





Mãe @inside

É ténue ao longe o pôr do sol, sobressai o horizonte onde o pensamento vai e volta, como numa partida de ténis. Aqui e além estamos nós e o tempo sem horas, mas com o tempo de quem não o tendo tem que o ter na mesma... Parece-me o contorno de uma pintura, uma mancha de sol na água prateada e ondulante, uma promessa para sempre.

Lembro-me de ti como sempre e sorrio por nos ver maduras e confiantes, cúmplices fervorosas e amigas complacentes, como nos tornámos. Tu és o meu melhor, o melhor que chegou através de ti e pousou no meu ombro, qual pássaro delicado e colorido pela bruma. Tu és o meu começo e o meu fio pela vida que se apresenta como um desafio sempre. Tu és a chave que eu procurei e abriu em mim o coração que nos acompanha em todos os momentos. 

Tu és o meu colo e o meu regaço nos dias frescos e verão e o azul do meu mar quando procuro respostas. Tu és o grão de areia fino, dourado e fugaz dentro da minha mão. E no entanto estás sempre lá, como se fosses um ser omnipresente em mim e nos meus dias. Tu és a frase que ecoa comigo no meu pensamento e ainda assim me surpreende de mansinho na força da vida. Adoro-te mãe❤️. Desde sempre e para sempre❤️.

IMG_3139.JPG

  • 😃😶🙁

segunda-feira, 17 de julho de 2017

Costas

Nem Norte nem Sul. Nem Este nem Oeste. É no meio que está a virtude?

A angústia dos outros não é a minha, mas sinto-me espelho. Fico aqui perto de ti, sei que te sentes sem rumo, mas não sei ser leme... nem bússola. Desculpa. Estás como sempre a navegar á vista. Deixa-me só dizer-te que o sol é por si só um ponto cardeal. Gira dentro de nós e às vezes aquece. Deixa-me só dizer-te que tu és as velas que rumam ao vento e assim seguem, deixa que o vento te empurre a consciência de seres tu a navegar. Ainda que não te vejas na proa, sabes que podes abrir os braços. Lembras-te de como é soltar as amarras? Quem sabe dar nós, também os sabe soltar... Querer é sentir que a vida nos corre nas veias, é chegar a bom porto vivendo. Embora saibas que navegas à vista. O sopro de Norte frio, arrepia. O sopro de Sul quente, aconchega.

segunda-feira, 8 de maio de 2017

Mancha de sol

É ténue ao longe o pôr do sol, sobressai o horizonte onde o pensamento vai e volta, como numa partida de ténis. Aqui e além estamos nós e o tempo sem horas, mas com o tempo de quem não o tendo tem que o ter na mesma... Parece-me o contorno de uma pintura, uma mancha de sol na água prateada e ondulante, uma promessa para sempre.

Lembro-me de ti como sempre e sorrio por nos ver maduras e confiantes, cúmplices fervorosas e amigas complacentes, como nos tornámos. Tu és o meu melhor, o melhor que chegou através de ti e pousou no meu ombro, qual pássaro delicado e colorido pela bruma. Tu és o meu começo e o meu fio pela vida que se apresenta como um desafio sempre. Tu és a chave que eu procurei e abriu em mim o coração que nos acompanha em todos os momentos. 

Tu és o meu colo e o meu regaço nos dias frescos e verão e o azul do meu mar quando procuro respostas. Tu és o grão de areia fino, dourado e fugaz dentro da minha mão. E no entanto estás sempre lá, como se fosses um ser omnipresente em mim e nos meus dias. Tu és a frase que ecoa comigo no meu pensamento e ainda assim me surpreende de mansinho na força da vida. Adoro-te mãe❤️. Desde sempre e para sempre❤️.



domingo, 26 de fevereiro de 2017

@insidepain

Saudades do meu livro favorito... " sento-me aqui nesta sala vazia e relembro, uma lua alta e brilhante, ilumina o chão"( in Aparição, Vergílio Ferreira).
Eu sento -me aqui neste muro e relembro, saudades do que dantes era e nunca o foi, saudades das fotos, dos sofás de uma paz podre que sempre me amargou. Agora amarga a ausência, o desespero, sente-se o vazio nas paredes, é uma paz a preto e branco, e o filme já acabou à muito. Houve quem pensasse que tinha recomeçado, que os actores eram hipocritas e cobardes, que eram tolos de ansiar pela mudança. Foram usadas máscaras e simulações de quem achava que quem um dia foi grande, inteiro e feliz, jamais o voltaria a ser... Rezou-se, pediu-se a Deus, usou-se a força que não se via, a paciência que não se devia, procurou-se ensinar o que nos tinha, feito aprender. Foi suficiente? Será ? Onde está o refúgio que nunca foi meu, nem teu, nem de ninguém? Doí-me os olhos de me doer o coração e desta espera que teima em não acabar. Não eu não quero ser pequena outra vez, a não ser que por um ou outro momento pequeno e bem guardado, mas disso encarrega-se a memória, tem que fazer alguma coisa não ? ....
No branco o vazio, no moderno o fugaz, a desordem, o quase caos entristecido e só. Foi assim que foi ficando, foi assim que foi perdendo devagar e em silêncio o controlo das horas. Talvez arranjar um relógio novo, um rádio barulhento e espantar o pó que deixou pálido o jardim. Tudo tem solução enquanto for vida.

segunda-feira, 20 de fevereiro de 2017

Tempo

O tempo é o tempo. Os anos são os anos. Os dias são eles mesmos também. 37 anos são 37. Assim, também 50 anos são 50.Não adianta querer ganhar tempo ao tempo. O tempo é dele mesmo, com as suas ferramentas e os seus compassos, só o tempo sabe ser ele mesmo. 
Todos queríamos ser o tempo por um dia, parar o tempo, agarra-lo com força ou fazê-lo recuar aos instantes precisos, às memórias crivadas no coração. Mas o tempo não deixa, o tempo é do tempo. Podemos resolvê-lo, falar-lhe ao ouvido, esperá-lo ou ansiar que chegue, mas o tempo só ele sabe ser como é e acontecer como sabe. Não adianta escrever ao tempo, pedindo que corra mais devagar, só ele sabe como corre ou deixa correr. Esperar, ficar, estar e ser, ou partir e viver, é sempre escolher o tempo entender.
Às vezes queremos esculpir o tempo, podemos tão só esculpir o querer, porque só querendo o tempo quer ser o tempo que escolhemos ser...



sábado, 18 de junho de 2016

Arraiais da vida

Nunca tive jeito para arraiais, bandeiras e manjericos. São coisas da vida, adoro Lisboa , mas Lisboa não me comprou a alma e os santos populares destas bandas nunca foram para mim, mais do que uma boa noite de amigos ... Talvez seja pelo meu pé pesado ou pelo facto de apesar de muito longe em distância me sentir de alma alentejana ... Prefiro um bom bailarico sem sardinha ou com a sardinha a distância 😄, um bom pôr do sol ou uma noite rock de oitenta. Mas os filhos trazem nos destas coisas, fazem-nos novos, fazem-nos velhos e assim, aqui estou eu a fazer-me amiga de i

Santo Antônio ... Guardo os seus sorrisos de hoje para  os lembrar amanhã na caixinha do meu coração... E sim por eles tudo, sempre e onde for preciso, mesmo com saudades do pó, do São João da feira de verão e do Sol imenso que me abafava a respiração ... Isso e outras coisas que se guardam na memória do ser, e que no intervalo das searas e das papoilas, nos definem mais e pesam mais na verdade do momento.

terça-feira, 15 de setembro de 2015

Postal dos Açores

✉️

No meio do atlântico há uma ilha especial, São Miguel. Uma ilha em bruto e perdida na memória dos que lá moram e que nunca viram a sua terra de outra cor.
Chegamos. Devagar e já na estrada vemos o verde engolir a paisagem dos quilómetros que vão desaguar no azul do céu e no azul do mar. Aqui a Natureza é rainha de tudo , é o super herói, o Deus maior, a luz que os homens seguem. Prados e mais prados, verde claro e mais verde escuro, apenas interrompidos por manchas pretas e brancas e tratores colossais. O "paraíso das vacas", podemos ler assim que aterramos nas "chegadas", eu diria que é muito mais do que isso, poderia dizer-se que aqui é também o paraíso do olhar, há uma espécie de purificação que se sente no ar e nos envolve os pés enquanto caminhamos. Sente-se a paz, mas para mim só se sente a paz porque ninguém faz questão que se sinta outra coisa, os açores não estão abertos ao mundo, parecem estar...mas não estão. O Turismo cansa os Açoreanos, o turismo estrangeiro, deixa-os nauseados e fartos, quando chega a Setembro sentem-se quase aliviados e sentem como nós nos sentimos quando regressamos de uma viagem, sentem que regressaram a casa, mas aqui sem nunca ter saído na realidade... Estive aqui há 20 anos, e se em 20 anos pouco, muito pouco mudou, continuamos a ter uma reserva natural a perder de vista, no meio de abruptos lagos estonteantes, outrora crateras,com as 4 estações do ano num dia e o nevoeiro de sempre.

Há mais um hotel, nas Furnas, junto à lagoa, com águas termais e que nos lavam a alma e o espirito, sentem-se os fumos e a água de nascente é gaseificada...pode quase abandonar-se o corpo nestes refúgios secretos,  deixar a alma descansar no meio dos penhascos verdes que se erguem em volta, coroados pelas nuvens...

Cataratas e lagos de água tépida, estâncias balneares improvisadas e um ilhéu que dizem é dos mais bonitos do mundo, a servir de praia em época balnear e cheio de peixes que nadam num fundo que já foi lava...  Todos devíamos conhecer o açores, a sua beleza vale muito mais do que 1000 milhões de palavras ou textos, mas é tudo, pois também todos deveríamos conhecer a Madeira e a sua capacidade de receber o mundo de braços abertos.






Aos meus filhos.

O despertador volta a tocar frenético, depois de um final de dia cheio de emoções, alegria,choro, euforia e medo. Hoje acabam as férias de Verão, ao seu ritmo, cheias de sorrisos, deixam flashes de calor, sal e cloro.
A confusão do costume, as mochilas colossais, as pessoas de sempre, e vocês muito mais empenhados que eu, em chegar ao destino, ao longe ficam no vosso lugar e acenam docemente.
O que me importa no meu coração apertado, não é só que aprendam, é "que sejam felizes a aprender como Platão e livres como Sartre", que sintam e que partilhem, que saibam dar a mão a quem precisa, que sonhem e nunca deixem de sorrir... A escola hoje não vê antes de mais a nossa individualidade, somos nós que a temos que defender e ser o que somos no meio da diversidade. Não devia haver angústia nem medo na escola, devia haver liberdade e respeito por cada um, pois cada um merece ser tratado como um ser humano único e valioso. Apenas assim seremos homens que sabem sentir e ser amanhã.
Hoje não houve foto, preferimos guardar as emoções das imagens nos nossos corações.
Se puderem sejam livres, sonhem e sintam e depois aprendam, a mãe e o pai estão aqui, para vos abraçar quando precisarem.


sexta-feira, 26 de dezembro de 2014

Remexer no sotão: A Unidade na diversidadeAos meus 34 anos o Natal...

Remexer no sotão: A Unidade na diversidade Aos meus 34 anos o Natal...: A Unidade na diversidade Aos meus 34 anos o Natal continua a ser a época que mais sentimentos me desperta. Consigo sentir o frio dos corr...

Christmas@soul

A Unidade na diversidade

Aos meus 34 anos o Natal continua a ser a época que mais sentimentos me desperta. Consigo sentir o frio dos corredores e o calor das brasas debaixo mesa, as brincadeiras infindáveis, o Pai Natal a descer da chaminé, o presépio em cascata qual escultura humana e pequenina, que labuta entre o musgo e os rios de papel de prata, o sabor dos folhados de galinha e o calor do forno de lenha, dos jogos de cartas... Sabe-me a boca a perú e a caldo com hortelã, sabe-me o furto a bolinhas prateadas da coroa de bolo real, a fios de ovos e a frutas do bolo rei. 

Ainda consigo sentar-me nos sofás que já não são meus e cruzar as pernas pequeninas, olhar as minhas golas e os xadrez dos calções e dos "kilts" com alfinete. 

Sinto aqui perto a alegria de correr e de esperar, de pertencer ao meio dos corações feitos de terra e de tradição e que me deixaram as melhores e mais doces memórias. Consigo se quiser subir a escadaria de granito e tirar fotos divertida e muito amiga dos meus óculos de armação cor de rosa e azul claro, do meu cabelo com franja e bandolete. 

Há coisas que nunca mudam e que a nossa memória se encarrega de imortalizar e fazer correr debaixo da nossa pele.

O Natal é das crianças, mas também é do espirito de família, de cedências, de amor incondicional, de afastamento de fantasmas e rectidão de postura... o Natal não surgiu para gerar a discórdia ou medir forças, sobre quem prevalece sobre quem e de que forma, o Natal não foi feito em casas separadas, em telhados de vidro, mas na simplicidade de uma cabana e na palha. 

Pobre de espirito aquele que usa o maior momento de união onde se põem de lado as crenças e feitios para o bem comum, a união na diversidade, para medir forças, pois isso apenas mostra a sua fraqueza e que Deus lhe perdoe tamanha fraqueza e insensatez.

Para mim as memórias são minhas e ninguém mas tira, as imagens e palavras que contam a história fazem-no com a mesma paixão e espirito de sempre. 

A Lareira ainda lá está e a mesa dos doces, o sorriso grisalho e as notas certas e melodiosas de uma orquestra... por acaso numa orquestra os músicos têm todos o mesmo instrumento ?? ...

No meu coração cabe isto e muito mais, cabe a verdade e a paz de espirito, cabe a memória eterna e os brilhos dos arranjos de Natal, cabe o coração do meu marido e dos meus filhos, dos meus pais e de todos  os que lá quiserem estar, porque o meu coração está aberto a ceder, a amar, a aceitar e compreender com um sentido de justiça que me ensinaram desde tenra idade. Claro que a vida é feita  de cedências, mas amar é isso mesmo, abrir espaço para a diferença e só a aceitação da diferença faz a união. Disse.

Queridos pais obrigada por estarem sempre ao nosso lado, com uma rectidão exemplar e que só doí a quem tem medo de ser feliz. 

Para si Avó, uma inspiração todas as horas dos meus dias. Para os meus filhos e marido que iluminam todos os Natais como sangue do meu sangue e espalham sorrisos muito mais que presentes.

O meu Natal será sempre branco, cheio de velas e paz, enquanto eu puder e o Menino nos acompanhar de longe.

Menino Jesus: "Pano, Papel e Companhia", a arte nas mãos de quem a entende o espirito e assim  o recria.

quarta-feira, 24 de setembro de 2014

10 anos a acertar o passo...

<3
O dia do sim é para além de mágico, sonhado, trabalhoso, suado, pérola e branco, um dia tão decisivo quanto aquilo em que acreditamos estar presente. A Fé, o Amor, a Vida, o compromisso sagrado.
É preciso não só amar pacientemente, mas também procurar acertar o passo para que possamos caminhar lado a lado, ombro a ombro, na mesma direcção... E de preferência sem ser guiados por medos ou privações...
Depois se surgem pegadas mais pequenas é preciso saber o sítio em que tem o seu lugar nos passos da areia. É preciso alinhar o caminho com os seus pés pequeninos e dar-lhe espaço para crescerem com Amor e do Amor que um dia se jurou.
" Sento-me aqui nesta sala vazia e relembro" uma lua cheia de Verão, dois olhares, duas mãos uma sobre a outra e um destino.
Seria quase hipócrita dizer q sempre se soube caminhar lado a lado, a vida a dois é uma aventura onde damos a volta ao mundo ( ao nosso e do outro) e vamos guardando as fotos e os momentos mais importantes da viagem, bem sempre o passo é certo...
Mas estou aqui. E que bom é estar ao lado de quem se jurou amar para sempre e sentir aquela cumplicidade que só os grande amigos sentem.
Ao longo de 10 anos arriscaria dizer que  o mais importante foram as pegadas que nasceram ao nosso lado, os pequenos pés que crescem junto dos nossos e aprendem a pisar o mundo devagar.Mas não me poderia nunca esquecer que tudo nasceu de uma promessa que fizemos e que tem a chama bem acesa e junto ao coração, ao teu e ao meu, ao dos dois que sabe ser um só.
Parabéns meu amor. 10 anos não são os 10 segundos que dura o sim são até agora a sua verdadeira razão de ser...





segunda-feira, 28 de julho de 2014

Boa noite

"Todavia, o mar é o habilidoso desenhador de ausências."
__Mia Couto



Sobre o o pó que nos deitam para os olhos e a saudade do nosso país

Devagar...como a memória volta a esquecer como fomos ao fundo, valha-nos o Tiago Bettencourt e a canção sobre o meu país..."Aquilo que eu não fiz".
Há pessoas que respiram a sua riqueza e só isso as alimenta, há detenções que parecem reais e e no fim do outro lado do espelho, só vemos a sombra a desaparecer e o fado, a fé e o futebol a voltar...
Chamam-lhe o Último Banqueiro, o último banqueiro morreu em 8 de Maio de 2004  e chamava-se António Champalimaud, nunca foi detido por corrupção, honrava a sua postura recta, tomou a s frentes de negócio depois da morte precoce de seu pai e no Brasil encontrou refúgio e enriqueceu do zero depois de Abril, regressou ao seu país para lhe deixar a prosperidade. Ajudou a construir muito mais do que um banco com a sua preocupação com o próximo, sabia que o dinheiro servia para muito mais o que ser rico, e não abandonava o barco porque sim, ou porque tinha esgotado o crédito, deixou no conforto filhos e netos, sem ser avarento deu um sentido útil à restante fortuna, enriqueceu o país, a cultura e o exemplo. Dizem que era de poucas palavras, e no fim para quê gastar o tempo a desfiar os novelos dos outros. Gastava sim tempo num projecto de uma Fundação que hoje serve a humanidade e que merece as maiores graças e admiração. Nem me atrevo a imaginar a esperança renascida depois de cada dia e cada inovação, onde mais nada quiça restaria...

Ás vezes há vergonhas no meu país que me doem tanto que me apetece partir para além fronteiras e não partilhar mais de um sentimento de estranha pertença a um lugar que nos roubaram... Mas depois a Inércia e o destino acabam por nos deixar apenas perdidos em pensamento. Mas também há o Eusebio, o Camões, Fátima, o Pessoa, o Saramago, o Figo e o Ronaldo e o nosso humanismo tão próprio que nos faz nascer a saudade ainda antes de partir...



quinta-feira, 13 de março de 2014

Resignation

"O Homem só envelhece quando os lamentos substituem os seus sonhos."… ainda hoje não sei se isso lhe aconteceu…ou adormeceu a sonhar. Amanhã escrevo, hoje a alma está muito desalmada.