segunda-feira, 17 de julho de 2017

Costas

Nem Norte nem Sul. Nem Este nem Oeste. É no meio que está a virtude?

A angústia dos outros não é a minha, mas sinto-me espelho. Fico aqui perto de ti, sei que te sentes sem rumo, mas não sei ser leme... nem bússola. Desculpa. Estás como sempre a navegar á vista. Deixa-me só dizer-te que o sol é por si só um ponto cardeal. Gira dentro de nós e às vezes aquece. Deixa-me só dizer-te que tu és as velas que rumam ao vento e assim seguem, deixa que o vento te empurre a consciência de seres tu a navegar. Ainda que não te vejas na proa, sabes que podes abrir os braços. Lembras-te de como é soltar as amarras? Quem sabe dar nós, também os sabe soltar... Querer é sentir que a vida nos corre nas veias, é chegar a bom porto vivendo. Embora saibas que navegas à vista. O sopro de Norte frio, arrepia. O sopro de Sul quente, aconchega.

segunda-feira, 8 de maio de 2017

Mancha de sol

É ténue ao longe o pôr do sol, sobressai o horizonte onde o pensamento vai e volta, como numa partida de ténis. Aqui e além estamos nós e o tempo sem horas, mas com o tempo de quem não o tendo tem que o ter na mesma... Parece-me o contorno de uma pintura, uma mancha de sol na água prateada e ondulante, uma promessa para sempre.

Lembro-me de ti como sempre e sorrio por nos ver maduras e confiantes, cúmplices fervorosas e amigas complacentes, como nos tornámos. Tu és o meu melhor, o melhor que chegou através de ti e pousou no meu ombro, qual pássaro delicado e colorido pela bruma. Tu és o meu começo e o meu fio pela vida que se apresenta como um desafio sempre. Tu és a chave que eu procurei e abriu em mim o coração que nos acompanha em todos os momentos. 

Tu és o meu colo e o meu regaço nos dias frescos e verão e o azul do meu mar quando procuro respostas. Tu és o grão de areia fino, dourado e fugaz dentro da minha mão. E no entanto estás sempre lá, como se fosses um ser omnipresente em mim e nos meus dias. Tu és a frase que ecoa comigo no meu pensamento e ainda assim me surpreende de mansinho na força da vida. Adoro-te mãe❤️. Desde sempre e para sempre❤️.



domingo, 26 de fevereiro de 2017

@insidepain

Saudades do meu livro favorito... " sento-me aqui nesta sala vazia e relembro, uma lua alta e brilhante, ilumina o chão"( in Aparição, Vergílio Ferreira).
Eu sento -me aqui neste muro e relembro, saudades do que dantes era e nunca o foi, saudades das fotos, dos sofás de uma paz podre que sempre me amargou. Agora amarga a ausência, o desespero, sente-se o vazio nas paredes, é uma paz a preto e branco, e o filme já acabou à muito. Houve quem pensasse que tinha recomeçado, que os actores eram hipocritas e cobardes, que eram tolos de ansiar pela mudança. Foram usadas máscaras e simulações de quem achava que quem um dia foi grande, inteiro e feliz, jamais o voltaria a ser... Rezou-se, pediu-se a Deus, usou-se a força que não se via, a paciência que não se devia, procurou-se ensinar o que nos tinha, feito aprender. Foi suficiente? Será ? Onde está o refúgio que nunca foi meu, nem teu, nem de ninguém? Doí-me os olhos de me doer o coração e desta espera que teima em não acabar. Não eu não quero ser pequena outra vez, a não ser que por um ou outro momento pequeno e bem guardado, mas disso encarrega-se a memória, tem que fazer alguma coisa não ? ....
No branco o vazio, no moderno o fugaz, a desordem, o quase caos entristecido e só. Foi assim que foi ficando, foi assim que foi perdendo devagar e em silêncio o controlo das horas. Talvez arranjar um relógio novo, um rádio barulhento e espantar o pó que deixou pálido o jardim. Tudo tem solução enquanto for vida.

segunda-feira, 20 de fevereiro de 2017

Tempo

O tempo é o tempo. Os anos são os anos. Os dias são eles mesmos também. 37 anos são 37. Assim, também 50 anos são 50.Não adianta querer ganhar tempo ao tempo. O tempo é dele mesmo, com as suas ferramentas e os seus compassos, só o tempo sabe ser ele mesmo. 
Todos queríamos ser o tempo por um dia, parar o tempo, agarra-lo com força ou fazê-lo recuar aos instantes precisos, às memórias crivadas no coração. Mas o tempo não deixa, o tempo é do tempo. Podemos resolvê-lo, falar-lhe ao ouvido, esperá-lo ou ansiar que chegue, mas o tempo só ele sabe ser como é e acontecer como sabe. Não adianta escrever ao tempo, pedindo que corra mais devagar, só ele sabe como corre ou deixa correr. Esperar, ficar, estar e ser, ou partir e viver, é sempre escolher o tempo entender.
Às vezes queremos esculpir o tempo, podemos tão só esculpir o querer, porque só querendo o tempo quer ser o tempo que escolhemos ser...



sábado, 18 de junho de 2016

Arraiais da vida

Nunca tive jeito para arraiais, bandeiras e manjericos. São coisas da vida, adoro Lisboa , mas Lisboa não me comprou a alma e os santos populares destas bandas nunca foram para mim, mais do que uma boa noite de amigos ... Talvez seja pelo meu pé pesado ou pelo facto de apesar de muito longe em distância me sentir de alma alentejana ... Prefiro um bom bailarico sem sardinha ou com a sardinha a distância 😄, um bom pôr do sol ou uma noite rock de oitenta. Mas os filhos trazem nos destas coisas, fazem-nos novos, fazem-nos velhos e assim, aqui estou eu a fazer-me amiga de i

Santo Antônio ... Guardo os seus sorrisos de hoje para  os lembrar amanhã na caixinha do meu coração... E sim por eles tudo, sempre e onde for preciso, mesmo com saudades do pó, do São João da feira de verão e do Sol imenso que me abafava a respiração ... Isso e outras coisas que se guardam na memória do ser, e que no intervalo das searas e das papoilas, nos definem mais e pesam mais na verdade do momento.