terça-feira, 15 de setembro de 2015

Postal dos Açores

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No meio do atlântico há uma ilha especial, São Miguel. Uma ilha em bruto e perdida na memória dos que lá moram e que nunca viram a sua terra de outra cor.
Chegamos. Devagar e já na estrada vemos o verde engolir a paisagem dos quilómetros que vão desaguar no azul do céu e no azul do mar. Aqui a Natureza é rainha de tudo , é o super herói, o Deus maior, a luz que os homens seguem. Prados e mais prados, verde claro e mais verde escuro, apenas interrompidos por manchas pretas e brancas e tratores colossais. O "paraíso das vacas", podemos ler assim que aterramos nas "chegadas", eu diria que é muito mais do que isso, poderia dizer-se que aqui é também o paraíso do olhar, há uma espécie de purificação que se sente no ar e nos envolve os pés enquanto caminhamos. Sente-se a paz, mas para mim só se sente a paz porque ninguém faz questão que se sinta outra coisa, os açores não estão abertos ao mundo, parecem estar...mas não estão. O Turismo cansa os Açoreanos, o turismo estrangeiro, deixa-os nauseados e fartos, quando chega a Setembro sentem-se quase aliviados e sentem como nós nos sentimos quando regressamos de uma viagem, sentem que regressaram a casa, mas aqui sem nunca ter saído na realidade... Estive aqui há 20 anos, e se em 20 anos pouco, muito pouco mudou, continuamos a ter uma reserva natural a perder de vista, no meio de abruptos lagos estonteantes, outrora crateras,com as 4 estações do ano num dia e o nevoeiro de sempre.

Há mais um hotel, nas Furnas, junto à lagoa, com águas termais e que nos lavam a alma e o espirito, sentem-se os fumos e a água de nascente é gaseificada...pode quase abandonar-se o corpo nestes refúgios secretos,  deixar a alma descansar no meio dos penhascos verdes que se erguem em volta, coroados pelas nuvens...

Cataratas e lagos de água tépida, estâncias balneares improvisadas e um ilhéu que dizem é dos mais bonitos do mundo, a servir de praia em época balnear e cheio de peixes que nadam num fundo que já foi lava...  Todos devíamos conhecer o açores, a sua beleza vale muito mais do que 1000 milhões de palavras ou textos, mas é tudo, pois também todos deveríamos conhecer a Madeira e a sua capacidade de receber o mundo de braços abertos.






Aos meus filhos.

O despertador volta a tocar frenético, depois de um final de dia cheio de emoções, alegria,choro, euforia e medo. Hoje acabam as férias de Verão, ao seu ritmo, cheias de sorrisos, deixam flashes de calor, sal e cloro.
A confusão do costume, as mochilas colossais, as pessoas de sempre, e vocês muito mais empenhados que eu, em chegar ao destino, ao longe ficam no vosso lugar e acenam docemente.
O que me importa no meu coração apertado, não é só que aprendam, é "que sejam felizes a aprender como Platão e livres como Sartre", que sintam e que partilhem, que saibam dar a mão a quem precisa, que sonhem e nunca deixem de sorrir... A escola hoje não vê antes de mais a nossa individualidade, somos nós que a temos que defender e ser o que somos no meio da diversidade. Não devia haver angústia nem medo na escola, devia haver liberdade e respeito por cada um, pois cada um merece ser tratado como um ser humano único e valioso. Apenas assim seremos homens que sabem sentir e ser amanhã.
Hoje não houve foto, preferimos guardar as emoções das imagens nos nossos corações.
Se puderem sejam livres, sonhem e sintam e depois aprendam, a mãe e o pai estão aqui, para vos abraçar quando precisarem.


sexta-feira, 26 de dezembro de 2014

Remexer no sotão: A Unidade na diversidadeAos meus 34 anos o Natal...

Remexer no sotão: A Unidade na diversidade Aos meus 34 anos o Natal...: A Unidade na diversidade Aos meus 34 anos o Natal continua a ser a época que mais sentimentos me desperta. Consigo sentir o frio dos corr...

Christmas@soul

A Unidade na diversidade

Aos meus 34 anos o Natal continua a ser a época que mais sentimentos me desperta. Consigo sentir o frio dos corredores e o calor das brasas debaixo mesa, as brincadeiras infindáveis, o Pai Natal a descer da chaminé, o presépio em cascata qual escultura humana e pequenina, que labuta entre o musgo e os rios de papel de prata, o sabor dos folhados de galinha e o calor do forno de lenha, dos jogos de cartas... Sabe-me a boca a perú e a caldo com hortelã, sabe-me o furto a bolinhas prateadas da coroa de bolo real, a fios de ovos e a frutas do bolo rei. 

Ainda consigo sentar-me nos sofás que já não são meus e cruzar as pernas pequeninas, olhar as minhas golas e os xadrez dos calções e dos "kilts" com alfinete. 

Sinto aqui perto a alegria de correr e de esperar, de pertencer ao meio dos corações feitos de terra e de tradição e que me deixaram as melhores e mais doces memórias. Consigo se quiser subir a escadaria de granito e tirar fotos divertida e muito amiga dos meus óculos de armação cor de rosa e azul claro, do meu cabelo com franja e bandolete. 

Há coisas que nunca mudam e que a nossa memória se encarrega de imortalizar e fazer correr debaixo da nossa pele.

O Natal é das crianças, mas também é do espirito de família, de cedências, de amor incondicional, de afastamento de fantasmas e rectidão de postura... o Natal não surgiu para gerar a discórdia ou medir forças, sobre quem prevalece sobre quem e de que forma, o Natal não foi feito em casas separadas, em telhados de vidro, mas na simplicidade de uma cabana e na palha. 

Pobre de espirito aquele que usa o maior momento de união onde se põem de lado as crenças e feitios para o bem comum, a união na diversidade, para medir forças, pois isso apenas mostra a sua fraqueza e que Deus lhe perdoe tamanha fraqueza e insensatez.

Para mim as memórias são minhas e ninguém mas tira, as imagens e palavras que contam a história fazem-no com a mesma paixão e espirito de sempre. 

A Lareira ainda lá está e a mesa dos doces, o sorriso grisalho e as notas certas e melodiosas de uma orquestra... por acaso numa orquestra os músicos têm todos o mesmo instrumento ?? ...

No meu coração cabe isto e muito mais, cabe a verdade e a paz de espirito, cabe a memória eterna e os brilhos dos arranjos de Natal, cabe o coração do meu marido e dos meus filhos, dos meus pais e de todos  os que lá quiserem estar, porque o meu coração está aberto a ceder, a amar, a aceitar e compreender com um sentido de justiça que me ensinaram desde tenra idade. Claro que a vida é feita  de cedências, mas amar é isso mesmo, abrir espaço para a diferença e só a aceitação da diferença faz a união. Disse.

Queridos pais obrigada por estarem sempre ao nosso lado, com uma rectidão exemplar e que só doí a quem tem medo de ser feliz. 

Para si Avó, uma inspiração todas as horas dos meus dias. Para os meus filhos e marido que iluminam todos os Natais como sangue do meu sangue e espalham sorrisos muito mais que presentes.

O meu Natal será sempre branco, cheio de velas e paz, enquanto eu puder e o Menino nos acompanhar de longe.

Menino Jesus: "Pano, Papel e Companhia", a arte nas mãos de quem a entende o espirito e assim  o recria.