"O Homem só envelhece quando os lamentos substituem os seus sonhos."… ainda hoje não sei se isso lhe aconteceu…ou adormeceu a sonhar. Amanhã escrevo, hoje a alma está muito desalmada.
quinta-feira, 13 de março de 2014
quarta-feira, 12 de março de 2014
Alice In my eyes
Não foi ontem?
Não foi ontem a agrura dos dias e o aperto no peito? É depois de amanhã que o nosso coração fica mais vazio de presença e mais cheio de saudade? Ou é todos os dias que se adensa a falta da voz e do abraço e o perfume doce, o batôn impecavelmente retocado e o Sumol de ananás, assim a paciência de Santo.
Passámos de uma peça de teatro bem representada a uma revolução anarquicamente descontrolada e ainda assim…alguém diz "o nosso país está a empobrecer"… os nossos corações empobreceram à muito, e tivemos que os enriquecer com a ternura da memória…ensinamentos ancestrais e "Photoshops" mentais. Tivemos que guardar junto ao peito meias de linha, orações, sabores de bolos caseiros e aquela doçura que mais ninguém tem. E ainda assim temos sorte em ter o seu coelho branco, sempre atrasado para chegar a tudo e todos, embora Alice tenha decidido também levar o gato sorridente, para quê deixar mais tesouros ainda em mãos alheias…
Vejo o seu pé a chapinhar na beira da água, o sei porque são os seus olhos tristes, mas eu não digo a ninguém e faço de conta que não vejo que os outros não querem ver.
Eu também a entendo, estava cansada e os anos já eram muitos, muitos a cuidar da paz e a lutar contra moinhos de vento que nunca haviam sofrido tamanhas vitórias como aquelas… Há um egoísmo desmedido em querer que alguém fique quando temos que a libertar, e se as marcas ficam, as cicatrizes e os muros desfeitos de areia, não nos caberá a nós o legado de os honrar e com o tempo edificar.
Foi tudo muito rápido, o tempo é muito senhor do seu nariz, nem nos deixou o resto do guião do filme da vida e baralhou sem dó as personagens…ou então colocou-as nos seus papéis devidos…
Era um pedestal, uma confidente sem igual, um ponto de exclamação bem direito e definido, uma virgula pequena e curva, um ponto final nas histórias e umas astuciosas reticências. Orgulho-me muito de a ter tido ao meu lado… e deixo-a partir, porque sei que não pode ficar, mas também sei que a cadeira, o trono, fica irremediavelmente vazio…talvez um dia.
Saudades. Tantas….
Leonor
Não foi ontem a agrura dos dias e o aperto no peito? É depois de amanhã que o nosso coração fica mais vazio de presença e mais cheio de saudade? Ou é todos os dias que se adensa a falta da voz e do abraço e o perfume doce, o batôn impecavelmente retocado e o Sumol de ananás, assim a paciência de Santo.
Passámos de uma peça de teatro bem representada a uma revolução anarquicamente descontrolada e ainda assim…alguém diz "o nosso país está a empobrecer"… os nossos corações empobreceram à muito, e tivemos que os enriquecer com a ternura da memória…ensinamentos ancestrais e "Photoshops" mentais. Tivemos que guardar junto ao peito meias de linha, orações, sabores de bolos caseiros e aquela doçura que mais ninguém tem. E ainda assim temos sorte em ter o seu coelho branco, sempre atrasado para chegar a tudo e todos, embora Alice tenha decidido também levar o gato sorridente, para quê deixar mais tesouros ainda em mãos alheias…
Vejo o seu pé a chapinhar na beira da água, o sei porque são os seus olhos tristes, mas eu não digo a ninguém e faço de conta que não vejo que os outros não querem ver.
Eu também a entendo, estava cansada e os anos já eram muitos, muitos a cuidar da paz e a lutar contra moinhos de vento que nunca haviam sofrido tamanhas vitórias como aquelas… Há um egoísmo desmedido em querer que alguém fique quando temos que a libertar, e se as marcas ficam, as cicatrizes e os muros desfeitos de areia, não nos caberá a nós o legado de os honrar e com o tempo edificar.
Foi tudo muito rápido, o tempo é muito senhor do seu nariz, nem nos deixou o resto do guião do filme da vida e baralhou sem dó as personagens…ou então colocou-as nos seus papéis devidos…
Era um pedestal, uma confidente sem igual, um ponto de exclamação bem direito e definido, uma virgula pequena e curva, um ponto final nas histórias e umas astuciosas reticências. Orgulho-me muito de a ter tido ao meu lado… e deixo-a partir, porque sei que não pode ficar, mas também sei que a cadeira, o trono, fica irremediavelmente vazio…talvez um dia.
Saudades. Tantas….
Leonor
quarta-feira, 19 de fevereiro de 2014
Lisboa@first
Lisboa...
Se os barcos que aqui passaram planearam encher a costa do ácido doce de limões lacrimejantes, ou aqui deixaram amaras e grutas, não levaram o azul do mar. Deixaram nas suas costas rochas, corais e búzios cantantes, ornamentos fenicios, artes de pintar o Amanha como se fosse hoje... Canções são modos falar, e de entender. São luzes que salpicam o mar, que ternurento deixa descansar as gentes que sobre este Dormem sem sobressalto.
Daqui a vista são 180 graus de pequenos salpicos, e ainda assim o mar esta calmo.
Os romanos, esqueceram-se de nos deixar as notas. E as pautas e as arpas... E nos tivemos que aprender o nosso fado, erguer a nossa bandeira e arrumar as caravelas, ser grandes sendo pequenos e triunfar com o suor da mãos e os golos do coração.
Tudo aqui parece um presépio, em oração, escarpado e esculpido na rudeza da pedra, mas um presépio cheio de calma e ainda assim pleno de vida. Viver e aprender. "Porque quando a culpa é virtude o padecer á glória", disse São João de brito
Daqui a vista são 180 graus de pequenos salpicos, e ainda assim o mar esta calmo.
Os romanos, esqueceram-se de nos deixar as notas. E as pautas e as arpas... E nos tivemos que aprender o nosso fado, erguer a nossa bandeira e arrumar as caravelas, ser grandes sendo pequenos e triunfar com o suor da mãos e os golos do coração.
Tudo aqui parece um presépio, em oração, escarpado e esculpido na rudeza da pedra, mas um presépio cheio de calma e ainda assim pleno de vida. Viver e aprender. "Porque quando a culpa é virtude o padecer á glória", disse São João de brito
Alice@inside
Pó dos dias. Alguém tem um pano?
Manha clara e sol de mansidão, tímido e cauteloso por entre a névoa branca, imaculada... Ouço sussurrar baixinho... Esta longe a voz e demora a entender a mensagem...obrigada, penso, em resposta surda...saudosa e lenta sobre o travesseiro.
Como e longa a distancia e curto o momento, ai se pudesse, guardava-a bem fundo e bem alto para todo o sempre. Quatro lágrimas, cinco, e melhor banir a tristeza da memória, o tempo dela urge.
Manha clara e sol de mansidão, tímido e cauteloso por entre a névoa branca, imaculada... Ouço sussurrar baixinho... Esta longe a voz e demora a entender a mensagem...obrigada, penso, em resposta surda...saudosa e lenta sobre o travesseiro.
Como e longa a distancia e curto o momento, ai se pudesse, guardava-a bem fundo e bem alto para todo o sempre. Quatro lágrimas, cinco, e melhor banir a tristeza da memória, o tempo dela urge.
terça-feira, 18 de fevereiro de 2014
Meu Amor@letter
Carta de Amor 1
Quem me conhece sabe que não gosto de escrever por obrigação ou por mera conveniência que a ocasião exige… Hoje é uma excepção, não pela obrigação, porque o faço de coração cheio, mas pela ocasião.
Conheci o N. por acaso e mera coincidência, em 1999, mesmo não estando disponível para ninguém ou simplesmente porque não sabia que estava…
Foi aquilo que em revistas perfumadas se chama de "click" ou instante, embora se me pedirem para explicar não seja capaz de o fazer, porque nem para mim é ainda hoje entendível.
Em todo o caso, tudo começa no riso e no jogo, entre "capuccinos" e cafés, mas mais importante tudo começa quando se olha e se consome o brilho de um determinado olhar. O riso é um excelente companheiro e um botão mágico da vida, o melhor "desbloqueador de conversa" e o artificio que mais ecoa dentro de nós. Lembro-me de dizer para á minha mãe "ele faz-me rir" como uma adolescente tola e aparentemente inocente… e ele sem saber tinha o toque, a magia do momento e a palavra sempre certa. Raios!
Foi um fósforo, entre livros, frequências, estudo, festas e jantares, um fósforo sem fim que não queimava mas ardia e aquecia o coração. Quase fiquei de novo miúda imberbe e cheia de borboletas na barriga, da espera, dos intervalos, das mãos, dos beijos que fugiam e das quartas feiras, em que o meu rastilho chegava a disparar de intensidade e de paixão e de música quente…
Transformei a paixão em intelecto e esforcei-me mais que nunca por permanecer direita e indiferente ao correr do tempo, ás longas saídas que tanto temia, por as sofrer e ter sabido como se sofre um dia. Paixão, quase amor...Porque o amor é uma praia longa e uma obra de arquitectura que leva o seu tempo e artifícios, uma pérola de uma ostra e um livro que se escreve devagar, e que continuamos a escrever todos os dias da nossa vida toda.
Foi tudo tão delicado e diferente que acabei por entregar o meu olhar ao teu e deixar-me ir, contigo era tudo tão seguro que nunca me faltava o chão…
E quando um certo dia depois de algum tempo para adultos e muito tempo para rapazes pequenos lhe perguntei o que sentia, e me respondeu desconexamente e com uma despreocupação de tempo e estado de ser "não sei"… eu devia ter entendido que ele não sabia porque nunca tinha sentido e desta forma não poderia saber…
Como será escusado, ele acabou por saber o que era sentir e saber que não saber era apenas um refúgio do desconhecido… e os dias foram chegando devagar e depressa consoante nos partilhávamos o riso e ateávamos o fogo. (…)
Quem me conhece sabe que não gosto de escrever por obrigação ou por mera conveniência que a ocasião exige… Hoje é uma excepção, não pela obrigação, porque o faço de coração cheio, mas pela ocasião.
Conheci o N. por acaso e mera coincidência, em 1999, mesmo não estando disponível para ninguém ou simplesmente porque não sabia que estava…
Foi aquilo que em revistas perfumadas se chama de "click" ou instante, embora se me pedirem para explicar não seja capaz de o fazer, porque nem para mim é ainda hoje entendível.
Em todo o caso, tudo começa no riso e no jogo, entre "capuccinos" e cafés, mas mais importante tudo começa quando se olha e se consome o brilho de um determinado olhar. O riso é um excelente companheiro e um botão mágico da vida, o melhor "desbloqueador de conversa" e o artificio que mais ecoa dentro de nós. Lembro-me de dizer para á minha mãe "ele faz-me rir" como uma adolescente tola e aparentemente inocente… e ele sem saber tinha o toque, a magia do momento e a palavra sempre certa. Raios!
Foi um fósforo, entre livros, frequências, estudo, festas e jantares, um fósforo sem fim que não queimava mas ardia e aquecia o coração. Quase fiquei de novo miúda imberbe e cheia de borboletas na barriga, da espera, dos intervalos, das mãos, dos beijos que fugiam e das quartas feiras, em que o meu rastilho chegava a disparar de intensidade e de paixão e de música quente…
Transformei a paixão em intelecto e esforcei-me mais que nunca por permanecer direita e indiferente ao correr do tempo, ás longas saídas que tanto temia, por as sofrer e ter sabido como se sofre um dia. Paixão, quase amor...Porque o amor é uma praia longa e uma obra de arquitectura que leva o seu tempo e artifícios, uma pérola de uma ostra e um livro que se escreve devagar, e que continuamos a escrever todos os dias da nossa vida toda.
Foi tudo tão delicado e diferente que acabei por entregar o meu olhar ao teu e deixar-me ir, contigo era tudo tão seguro que nunca me faltava o chão…
Como será escusado, ele acabou por saber o que era sentir e saber que não saber era apenas um refúgio do desconhecido… e os dias foram chegando devagar e depressa consoante nos partilhávamos o riso e ateávamos o fogo. (…)
Subscrever:
Mensagens (Atom)


