quarta-feira, 24 de setembro de 2014

10 anos a acertar o passo...

<3
O dia do sim é para além de mágico, sonhado, trabalhoso, suado, pérola e branco, um dia tão decisivo quanto aquilo em que acreditamos estar presente. A Fé, o Amor, a Vida, o compromisso sagrado.
É preciso não só amar pacientemente, mas também procurar acertar o passo para que possamos caminhar lado a lado, ombro a ombro, na mesma direcção... E de preferência sem ser guiados por medos ou privações...
Depois se surgem pegadas mais pequenas é preciso saber o sítio em que tem o seu lugar nos passos da areia. É preciso alinhar o caminho com os seus pés pequeninos e dar-lhe espaço para crescerem com Amor e do Amor que um dia se jurou.
" Sento-me aqui nesta sala vazia e relembro" uma lua cheia de Verão, dois olhares, duas mãos uma sobre a outra e um destino.
Seria quase hipócrita dizer q sempre se soube caminhar lado a lado, a vida a dois é uma aventura onde damos a volta ao mundo ( ao nosso e do outro) e vamos guardando as fotos e os momentos mais importantes da viagem, bem sempre o passo é certo...
Mas estou aqui. E que bom é estar ao lado de quem se jurou amar para sempre e sentir aquela cumplicidade que só os grande amigos sentem.
Ao longo de 10 anos arriscaria dizer que  o mais importante foram as pegadas que nasceram ao nosso lado, os pequenos pés que crescem junto dos nossos e aprendem a pisar o mundo devagar.Mas não me poderia nunca esquecer que tudo nasceu de uma promessa que fizemos e que tem a chama bem acesa e junto ao coração, ao teu e ao meu, ao dos dois que sabe ser um só.
Parabéns meu amor. 10 anos não são os 10 segundos que dura o sim são até agora a sua verdadeira razão de ser...





segunda-feira, 28 de julho de 2014

Boa noite

"Todavia, o mar é o habilidoso desenhador de ausências."
__Mia Couto



Sobre o o pó que nos deitam para os olhos e a saudade do nosso país

Devagar...como a memória volta a esquecer como fomos ao fundo, valha-nos o Tiago Bettencourt e a canção sobre o meu país..."Aquilo que eu não fiz".
Há pessoas que respiram a sua riqueza e só isso as alimenta, há detenções que parecem reais e e no fim do outro lado do espelho, só vemos a sombra a desaparecer e o fado, a fé e o futebol a voltar...
Chamam-lhe o Último Banqueiro, o último banqueiro morreu em 8 de Maio de 2004  e chamava-se António Champalimaud, nunca foi detido por corrupção, honrava a sua postura recta, tomou a s frentes de negócio depois da morte precoce de seu pai e no Brasil encontrou refúgio e enriqueceu do zero depois de Abril, regressou ao seu país para lhe deixar a prosperidade. Ajudou a construir muito mais do que um banco com a sua preocupação com o próximo, sabia que o dinheiro servia para muito mais o que ser rico, e não abandonava o barco porque sim, ou porque tinha esgotado o crédito, deixou no conforto filhos e netos, sem ser avarento deu um sentido útil à restante fortuna, enriqueceu o país, a cultura e o exemplo. Dizem que era de poucas palavras, e no fim para quê gastar o tempo a desfiar os novelos dos outros. Gastava sim tempo num projecto de uma Fundação que hoje serve a humanidade e que merece as maiores graças e admiração. Nem me atrevo a imaginar a esperança renascida depois de cada dia e cada inovação, onde mais nada quiça restaria...

Ás vezes há vergonhas no meu país que me doem tanto que me apetece partir para além fronteiras e não partilhar mais de um sentimento de estranha pertença a um lugar que nos roubaram... Mas depois a Inércia e o destino acabam por nos deixar apenas perdidos em pensamento. Mas também há o Eusebio, o Camões, Fátima, o Pessoa, o Saramago, o Figo e o Ronaldo e o nosso humanismo tão próprio que nos faz nascer a saudade ainda antes de partir...



quinta-feira, 13 de março de 2014

Resignation

"O Homem só envelhece quando os lamentos substituem os seus sonhos."… ainda hoje não sei se isso lhe aconteceu…ou adormeceu a sonhar. Amanhã escrevo, hoje a alma está muito desalmada.

quarta-feira, 12 de março de 2014

Alice In my eyes

Não foi ontem?

Não foi ontem a agrura dos dias e o aperto no peito? É depois de amanhã que o nosso coração fica mais vazio de presença e mais cheio de saudade? Ou é todos os dias que se adensa a falta da voz e do abraço e o perfume doce, o batôn impecavelmente retocado e o Sumol de ananás, assim a paciência de Santo.

Passámos de uma peça de teatro bem representada a uma revolução anarquicamente descontrolada e ainda assim…alguém diz "o nosso país está a empobrecer"… os nossos corações empobreceram à muito, e tivemos que os enriquecer com a ternura da memória…ensinamentos ancestrais e "Photoshops" mentais. Tivemos que guardar junto ao peito meias de linha, orações, sabores de bolos caseiros e aquela doçura que mais ninguém tem. E ainda assim temos sorte em ter o seu coelho branco, sempre atrasado para chegar a tudo e todos, embora Alice tenha decidido também levar o gato sorridente, para quê deixar mais tesouros ainda em mãos alheias…

Vejo o seu pé a chapinhar na beira da água, o sei porque são os seus olhos tristes, mas eu não digo a ninguém e faço de conta que não vejo que os outros não querem ver.

Eu também a entendo, estava cansada e os anos já eram muitos, muitos a cuidar da paz e a lutar contra moinhos de vento que nunca haviam sofrido tamanhas vitórias como aquelas… Há um egoísmo desmedido em querer que alguém fique quando temos que a libertar, e se as marcas ficam, as cicatrizes e os muros desfeitos de areia, não nos caberá a nós o legado de os honrar e com o tempo edificar.

Foi tudo muito rápido, o tempo é muito senhor do seu nariz, nem nos deixou o resto do guião do filme da vida e baralhou sem dó as personagens…ou então colocou-as nos seus papéis devidos…

Era um pedestal, uma confidente sem igual, um ponto de exclamação bem direito e definido, uma virgula pequena e curva, um ponto final nas histórias e umas astuciosas reticências. Orgulho-me muito de a ter tido ao meu lado… e deixo-a partir, porque sei que não pode ficar, mas também sei que a cadeira, o trono, fica irremediavelmente vazio…talvez um dia.

Saudades. Tantas….

Leonor