"Todavia, o mar é o habilidoso desenhador de ausências."
__Mia Couto
segunda-feira, 28 de julho de 2014
Sobre o o pó que nos deitam para os olhos e a saudade do nosso país
Devagar...como a memória volta a esquecer como fomos ao fundo, valha-nos o Tiago Bettencourt e a canção sobre o meu país..."Aquilo que eu não fiz".
Há pessoas que respiram a sua riqueza e só isso as alimenta, há detenções que parecem reais e e no fim do outro lado do espelho, só vemos a sombra a desaparecer e o fado, a fé e o futebol a voltar...
Chamam-lhe o Último Banqueiro, o último banqueiro morreu em 8 de Maio de 2004 e chamava-se António Champalimaud, nunca foi detido por corrupção, honrava a sua postura recta, tomou a s frentes de negócio depois da morte precoce de seu pai e no Brasil encontrou refúgio e enriqueceu do zero depois de Abril, regressou ao seu país para lhe deixar a prosperidade. Ajudou a construir muito mais do que um banco com a sua preocupação com o próximo, sabia que o dinheiro servia para muito mais o que ser rico, e não abandonava o barco porque sim, ou porque tinha esgotado o crédito, deixou no conforto filhos e netos, sem ser avarento deu um sentido útil à restante fortuna, enriqueceu o país, a cultura e o exemplo. Dizem que era de poucas palavras, e no fim para quê gastar o tempo a desfiar os novelos dos outros. Gastava sim tempo num projecto de uma Fundação que hoje serve a humanidade e que merece as maiores graças e admiração. Nem me atrevo a imaginar a esperança renascida depois de cada dia e cada inovação, onde mais nada quiça restaria...
Ás vezes há vergonhas no meu país que me doem tanto que me apetece partir para além fronteiras e não partilhar mais de um sentimento de estranha pertença a um lugar que nos roubaram... Mas depois a Inércia e o destino acabam por nos deixar apenas perdidos em pensamento. Mas também há o Eusebio, o Camões, Fátima, o Pessoa, o Saramago, o Figo e o Ronaldo e o nosso humanismo tão próprio que nos faz nascer a saudade ainda antes de partir...
Há pessoas que respiram a sua riqueza e só isso as alimenta, há detenções que parecem reais e e no fim do outro lado do espelho, só vemos a sombra a desaparecer e o fado, a fé e o futebol a voltar...
Chamam-lhe o Último Banqueiro, o último banqueiro morreu em 8 de Maio de 2004 e chamava-se António Champalimaud, nunca foi detido por corrupção, honrava a sua postura recta, tomou a s frentes de negócio depois da morte precoce de seu pai e no Brasil encontrou refúgio e enriqueceu do zero depois de Abril, regressou ao seu país para lhe deixar a prosperidade. Ajudou a construir muito mais do que um banco com a sua preocupação com o próximo, sabia que o dinheiro servia para muito mais o que ser rico, e não abandonava o barco porque sim, ou porque tinha esgotado o crédito, deixou no conforto filhos e netos, sem ser avarento deu um sentido útil à restante fortuna, enriqueceu o país, a cultura e o exemplo. Dizem que era de poucas palavras, e no fim para quê gastar o tempo a desfiar os novelos dos outros. Gastava sim tempo num projecto de uma Fundação que hoje serve a humanidade e que merece as maiores graças e admiração. Nem me atrevo a imaginar a esperança renascida depois de cada dia e cada inovação, onde mais nada quiça restaria...
Ás vezes há vergonhas no meu país que me doem tanto que me apetece partir para além fronteiras e não partilhar mais de um sentimento de estranha pertença a um lugar que nos roubaram... Mas depois a Inércia e o destino acabam por nos deixar apenas perdidos em pensamento. Mas também há o Eusebio, o Camões, Fátima, o Pessoa, o Saramago, o Figo e o Ronaldo e o nosso humanismo tão próprio que nos faz nascer a saudade ainda antes de partir...
quinta-feira, 13 de março de 2014
Resignation
"O Homem só envelhece quando os lamentos substituem os seus sonhos."… ainda hoje não sei se isso lhe aconteceu…ou adormeceu a sonhar. Amanhã escrevo, hoje a alma está muito desalmada.
quarta-feira, 12 de março de 2014
Alice In my eyes
Não foi ontem?
Não foi ontem a agrura dos dias e o aperto no peito? É depois de amanhã que o nosso coração fica mais vazio de presença e mais cheio de saudade? Ou é todos os dias que se adensa a falta da voz e do abraço e o perfume doce, o batôn impecavelmente retocado e o Sumol de ananás, assim a paciência de Santo.
Passámos de uma peça de teatro bem representada a uma revolução anarquicamente descontrolada e ainda assim…alguém diz "o nosso país está a empobrecer"… os nossos corações empobreceram à muito, e tivemos que os enriquecer com a ternura da memória…ensinamentos ancestrais e "Photoshops" mentais. Tivemos que guardar junto ao peito meias de linha, orações, sabores de bolos caseiros e aquela doçura que mais ninguém tem. E ainda assim temos sorte em ter o seu coelho branco, sempre atrasado para chegar a tudo e todos, embora Alice tenha decidido também levar o gato sorridente, para quê deixar mais tesouros ainda em mãos alheias…
Vejo o seu pé a chapinhar na beira da água, o sei porque são os seus olhos tristes, mas eu não digo a ninguém e faço de conta que não vejo que os outros não querem ver.
Eu também a entendo, estava cansada e os anos já eram muitos, muitos a cuidar da paz e a lutar contra moinhos de vento que nunca haviam sofrido tamanhas vitórias como aquelas… Há um egoísmo desmedido em querer que alguém fique quando temos que a libertar, e se as marcas ficam, as cicatrizes e os muros desfeitos de areia, não nos caberá a nós o legado de os honrar e com o tempo edificar.
Foi tudo muito rápido, o tempo é muito senhor do seu nariz, nem nos deixou o resto do guião do filme da vida e baralhou sem dó as personagens…ou então colocou-as nos seus papéis devidos…
Era um pedestal, uma confidente sem igual, um ponto de exclamação bem direito e definido, uma virgula pequena e curva, um ponto final nas histórias e umas astuciosas reticências. Orgulho-me muito de a ter tido ao meu lado… e deixo-a partir, porque sei que não pode ficar, mas também sei que a cadeira, o trono, fica irremediavelmente vazio…talvez um dia.
Saudades. Tantas….
Leonor
Não foi ontem a agrura dos dias e o aperto no peito? É depois de amanhã que o nosso coração fica mais vazio de presença e mais cheio de saudade? Ou é todos os dias que se adensa a falta da voz e do abraço e o perfume doce, o batôn impecavelmente retocado e o Sumol de ananás, assim a paciência de Santo.
Passámos de uma peça de teatro bem representada a uma revolução anarquicamente descontrolada e ainda assim…alguém diz "o nosso país está a empobrecer"… os nossos corações empobreceram à muito, e tivemos que os enriquecer com a ternura da memória…ensinamentos ancestrais e "Photoshops" mentais. Tivemos que guardar junto ao peito meias de linha, orações, sabores de bolos caseiros e aquela doçura que mais ninguém tem. E ainda assim temos sorte em ter o seu coelho branco, sempre atrasado para chegar a tudo e todos, embora Alice tenha decidido também levar o gato sorridente, para quê deixar mais tesouros ainda em mãos alheias…
Vejo o seu pé a chapinhar na beira da água, o sei porque são os seus olhos tristes, mas eu não digo a ninguém e faço de conta que não vejo que os outros não querem ver.
Eu também a entendo, estava cansada e os anos já eram muitos, muitos a cuidar da paz e a lutar contra moinhos de vento que nunca haviam sofrido tamanhas vitórias como aquelas… Há um egoísmo desmedido em querer que alguém fique quando temos que a libertar, e se as marcas ficam, as cicatrizes e os muros desfeitos de areia, não nos caberá a nós o legado de os honrar e com o tempo edificar.
Foi tudo muito rápido, o tempo é muito senhor do seu nariz, nem nos deixou o resto do guião do filme da vida e baralhou sem dó as personagens…ou então colocou-as nos seus papéis devidos…
Era um pedestal, uma confidente sem igual, um ponto de exclamação bem direito e definido, uma virgula pequena e curva, um ponto final nas histórias e umas astuciosas reticências. Orgulho-me muito de a ter tido ao meu lado… e deixo-a partir, porque sei que não pode ficar, mas também sei que a cadeira, o trono, fica irremediavelmente vazio…talvez um dia.
Saudades. Tantas….
Leonor
quarta-feira, 19 de fevereiro de 2014
Lisboa@first
Lisboa...
Se os barcos que aqui passaram planearam encher a costa do ácido doce de limões lacrimejantes, ou aqui deixaram amaras e grutas, não levaram o azul do mar. Deixaram nas suas costas rochas, corais e búzios cantantes, ornamentos fenicios, artes de pintar o Amanha como se fosse hoje... Canções são modos falar, e de entender. São luzes que salpicam o mar, que ternurento deixa descansar as gentes que sobre este Dormem sem sobressalto.
Daqui a vista são 180 graus de pequenos salpicos, e ainda assim o mar esta calmo.
Os romanos, esqueceram-se de nos deixar as notas. E as pautas e as arpas... E nos tivemos que aprender o nosso fado, erguer a nossa bandeira e arrumar as caravelas, ser grandes sendo pequenos e triunfar com o suor da mãos e os golos do coração.
Tudo aqui parece um presépio, em oração, escarpado e esculpido na rudeza da pedra, mas um presépio cheio de calma e ainda assim pleno de vida. Viver e aprender. "Porque quando a culpa é virtude o padecer á glória", disse São João de brito
Daqui a vista são 180 graus de pequenos salpicos, e ainda assim o mar esta calmo.
Os romanos, esqueceram-se de nos deixar as notas. E as pautas e as arpas... E nos tivemos que aprender o nosso fado, erguer a nossa bandeira e arrumar as caravelas, ser grandes sendo pequenos e triunfar com o suor da mãos e os golos do coração.
Tudo aqui parece um presépio, em oração, escarpado e esculpido na rudeza da pedra, mas um presépio cheio de calma e ainda assim pleno de vida. Viver e aprender. "Porque quando a culpa é virtude o padecer á glória", disse São João de brito
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